Quando eu fazia uns trabalhos externos em bancos, entre 1995 e 1998, não havia uma mesa de gerente onde não se visse uma HP 12c; o standard em calculadoras financeiras.

Aliás, a lenda dizia que qualquer gerente de banco tremia quando o cliente puxava uma HP 12c: significava que manjava de juros compostos e não seria iludido tão facilmente com a lábia bancária;

Comprei a primeira em 2001, quando iniciei a faculdade de contabilidade, mas me foi afanada;

Já na faculdade de administração comprei outra, que uso atualmente, uma prestidge, uma série onde havia melhorias, pois permitia notação comum , além da notação polonesa reversa;

Na notação comum, digita-se assim: 2+2=

Na notação polonesa é assim: 2<enter>2<enter. <+>

Um leigo em notação polonesa reversa é tentado a usar a tecla < enter> como se fosse um ó, e logo vê que nada acontece;

 

As décadas passaram, e a HP 12C resiste, ainda que outras calculadoras modelos e marcas já tenham a muito superado. Não se sabe se é o design ou simplesmente  tradição mesmo; isso afeta a mim também: tenho um applet no celular que emula a 12C, mas não me sinto confortável com ele, não dá segurança, confiança, simplesmente prefiro a calculadora mesmo.

Essa era a HP 12C que usava até há pouco tempo – possui notação normal e a polonesa reversa; foi uma versão Prestidge, já fora de linha – o estojo desta edição (já bem desbotado) era de couro.

A minha teoria é: OP design dela é simples, robusto e austero. Como ligamos logo a 12C com a ideia de dinheiro, finanças, somos naturalmente instados a procurar segurança e confiança como a 12C transmite tudo isso, é natural que gostemos de usá-la quando o assunto é dinheiro.

É por esse motivo também que o modelo original ainda se mantém: a sobriedade do modelo lançado em 1982 ainda dá a solidez que procuramos quando o assunto é o vil metal.

Se ela se manteve incólume até aqui, é pouco provável que saia de linha cedo e, quando sair, será como o fusca, vai gerar tantos saudosistas que logo irão relança-la ou continuará, como as Parker 51, a ser eternamente vendida em mercado paralelo.

A HP 12C está para as calculadoras como a Parker 51 está para as canetas e o Fusca pra os carros e as Kramer para as guitarras: todos esses produtos nunca deixaram de ser respeitados, ainda que obsoletos ou fora de linha quem tem não se desfaz, quem não tem curiosidade em ter e, assim que pode, compra um nem que seja para dizer que tem.

Essa é minha HP 12C 30th anniversary edition – A que uso na faculdade de Economia – ela é igual ao modelo clássico, só com notação polonesa reversa

Voltando ao título do post, mesmo com toda a evolução dos computadores, você ainda encontra a HP12C à venda em qualquer loja de eletrônicos.

É um gadget que se recusa a ficar obsoleto.

comments (0)

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>