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Por que “golpe” tem conotação ruim?

A tudo aquilo que rompe uma ordem estabelecida chamamos “golpe”.

Dom Pedro ficar no Brasil? Golpe (pela lei teria que obedecer ao Rei e voltar a Portugal).

Independência? Golpe. Maioridade de Pedro II? Golpe.

República? Golpe. Fim da “política café com leite”? Golpe.

A posse de Sarney, penso, foi um golpe, pois se Tancredo Neves não chegou a tomar posse, não houve titular empossado e, se não tinha um titular, não podia ter um vice. Enfim…

Alguém, em algum lugar, apontou a palavra “golpe” como negativo, e todos acreditaram nisso, e ainda propagaram.

“Golpe”, por si só, não é bom ou ruim, depende do que busca, do que consegue, no que resulta.

Então há duas questões a serem observadas quando se afirma que a queda da ex-presidente, digo, presidenta, Dilma: se foi o não golpe e, se foi, se foi benéfico ou maléfico.

Ao menos para mim, discutir se foi ou não golpe não satisfaz quanto a ter sido certo ou errado, se precisa dar um “zoom-out” na história (está cedo?) para sabermos se, independente de ter sido ou não golpe, se foi positivo ou negativo; prevejo uns dez anos para responder se houve golpe ou não; e caso se conclua que foi golpe, mais uns dez anos para que a história diga se foi positivo ou negativo.

É possível saber que algo existe, e não acreditar nesse algo

Eu consigo separar bem o que se acredita (lado direito do cérebro) do que se sabe ser verdadeiro (lado esquerdo).

Premissa 1:
Certa vez escutei algo bem inteligente: alguém disse “tenho quatro tipos de música: as que são boas e eu gosto, mas que são ruins e eu não gosto; as que eu gosto mas sei que são ruins, e as que eu sei serem boas, mas eu eu não gosto”.
Faz muito sentido: você pode não gostar de Jazz, mas sabe que é tecnicamente uma boa música. Um primo meu me disse certa vez: “The Who é uma grande banda, mas eu não consigo gostar dela”.

Premissa 2:
Li isso no livro “Brida” de Paulo Coelho, eram palavras de Lorenz: “-Brida, se eu atirar um átomo à velocidade da luz em uma placa com dois furos, ele se dividirá em dois, passará pelos dois furos e vai se juntar de novo logo depois de passar. Você acredita nisso?”; “-Não!” respondeu Brida, no que Lorenz disse “-Eu também não acredito, mas é verdade!“.

Então, também vejo dessa forma: É absolutamente possível se acreditar em algo que se sabe que não existe, assim como é possível saber que algo existe e não acreditar. Cada lado do cérebro com sua função, bonitamente separadas.
Sabe o ditado “Eu não creio em bruxas, mas que existem.. existem.”, pois é, e por aí.

Assim:

Eu sou cético não tenho crença religiosa alguma.
Mas daí a eu afirmar que não existe entes ditos pelas religiões… é algo bom diferente!
Apenas não me importo se existem ou não.

Baixista – A alma da banda

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Sempre achei o baixo o centro da banda, principalmente se for um power-trio, pois esse instrumento tem uma dupla função: fazer o som que preenche as frequências mais baixas e também fazer toda base harmônica.
Infelizmente, só os músicos dão o verdadeiro valor a esse instrumento.
Fui baixista de 1993 a 1996 (toquei no meu Ibanez, Rickenbacker e Steinberger, na Alta Ralé, Zero Bala e New Wave Band), e meus pais certa vez me disseram “isso tem som de nada”. Não os culpo, pois a média das pessoas simplesmente não sabem escutar o som do baixo.
Às vezes dentro da própria banda o baixista é mal compreendido, com outros instrumentistas achando que ele deve tocar somente com o bumbo da bateria, dando o som tônico à batida do bumbo; besteira.
Diferente do que se possa pensar, sempre achei mais difícil tocar baixo do que guitarra. Basta ouvir algumas músicas onde o baixo toca outra melodia dentro da própria música, como nas faixas do Raul Seixas e outros tantos outros artistas.

Baixista possui até dia próprio: 23 de junho.

Louvo aos baixistas que souberam sair da mera zona das baixas frequências e souberam fazer seus baixos subirem ao front-sound:
Geddy Lee (Rush), John Entwistle (The Who), Steve Harris (Iron Maiden) e Martin Turner (Wishbone Ash).

Achado é roubado?

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Nosso Código Civil chama de “Descoberta” o achado de algo que talvez tenha dono. Quem encontrou deve procurar o dono e entregar-lhe o objeto (Art.1233), e recebe um valor de no mínimo 5% do valor da coisa perdida, acrescido de indenização do valor de conservação e transporte da coisa (Art.1234). O valor até pode ser maior a depender do esforço, situação dos envolvidos e possibilidade do dono ter encontrado a coisa.

O dono pode recusar a coisa, caso em que pertencerá a quem encontrou.

Se o dono não for encontrado, a coisa é entregue à autoridade competente (Art.1233, Par.Ún.), que deve empreender busca para encontrar o dono por 60 dias (Art.1236). Se o dono surgir, recupera sua coisa, indenizando os valores e mais a recompensa. Se não surgir o dono e a coisa for de pequeno valor, é desde logo entregue a quem a encontrou (Art. 1237, Par.Ún.).

Mas se a coisa for de grande valor, será vendida em hasta pública e o dinheiro obtido, depois de descontada a indenização e recompensa, é entregue ao município (Art.1237)

É possível que, mesmo que não se siga esse procedimento, alguém se torne dono de coisa perdida, basta que fique com ela de forma mansa e pacífica por pelo menos 5 anos, que aí ocorrerá o usucapião extraordinário de móveis, legitimando a propriedade com quem a encontrou (Art.1261).

Ida rápida ao shopping pós segundo lockdown.

Ontem precisei ir muito rápido ao Manauara Shopping para comprar algo em uma loja que só lá existia com acesso mais próximo. Depois do segundo lockdown sofrido aqui em Manaus, seria minha primeira ida ao shopping, e não para espairecer e escrever em cafeteria, mas objetivamente para fazer uma compra, daria até para fazer tudo nos 15 minutos bonificados do estacionamento.
O estacionamento estava lotado, bem como o shopping, algo realmente como uma um enxame.
Quente, muito quente, a impressão que me passou é que, para economizar energia, desligaram o ar condicionado (ou então era o ´efeito bafo´ da multidão mesmo). Estava muito parecido ao centro da cidade em um sábado de manhã em épocas normais. Impossível andar em linha reta sem esbarrar em alguém.
Estava claro o desespero das pessoas em estarem associadas de novo, talvez viciadas em shopping como eu mas ainda em síndrome de abstinência.
Muitas lojas fechadas, não havia quadrante onde não se avistasse ao menos três lojas com papéis de vedação nos vidros e, ao contrário de épocas normais, nem houve a preocupação de mandar o caô da plaquinha “Fechado para Balanço”, só fechado e pronto, nesse aspecto, ficou bem parecido com o Shopping Ponta Negra, com várias posições sem lojas.
Nas lojas abertas, filas na frente, posto que havia limitação legal à quantidade de clientes a serem entendidos.
Diferente da primeira reabertura, o medo (e não alívio) estava estampado no rosto das pessoas, como já passamos de dez mil mortes por Covid aqui em Manaus, é claro que, pela lei da probabilidade, todos ali perderam alguém próximo de alguma forma, isso se mostrou nos semblantes, mesmo lotado, todos se afastando de todos, encostar ou esbarrar nem pensar, parecia que todos tinham um transponder de 10 centímetros no corpo, e a atenção quanto a isso somado ao medo, fez com que o ar ficasse com uma densidade pesada, se podia sentir a tensão, nada parecido com o sentimento de paz e estabilidade trazido pelo shopping em das normais.
E quando fui sair, faltava só três minutos para completar os 15 minutos… teria que pagar o estacionamento. Na maquininha de pagamento um novo reflexo do medo: cada um estava a quase dois metros do outro na fila. O medo ensina…

“Wanda Vision” – As ´várias séries´ em uma série

Hoje passou o sétimo episódio de “Wanda Vision” – Posso notar três ocorrências (camadas) diferentes no ecossistema gerado pela série:

1 – A própria série:

Certa vez um amigo nosso disse “-Rapaz, eu gosto da música ´Feelings´ do Morris Abert: Ela chega de mansinho, devagar, vai nos tomando e termina nos prendendo.”. Esse é o resumo de como enquadro o “Wanda Vision”, série com episódios semanais na Disney+. A assisto desde o primeiro episódio, no início de janeiro desse 2021. Já desde lá fiquei intrigado, já sabia que trataria sobre super-heróis, então, que raio de sentido faria aquele aspecto de sitcom dos anos 50 como daquele primeiro episódio? Sò isso bastaria para nos deixar curiosos. Depois, saber que a cada episódio as décadas visuais evoluiriam visualmente na trama nos deixa ainda mais presos. Há a alinha narrativa acontecendo enquanto se dá uma linha formal paralela em forma de programas de séries conforma a estética de cada década (começou nos anos 50, bem parecido com o “I Love Lucy” e já está nos anos 2000). Para não dar spoiler apenas direi que (aparenta) ser sobre um casal, onde informações de realidade fantástica vão surgindo.

2 – O que especulam sobre a série:

Youtubers aficionados ou iniciados em Universo Marvel ficam especulando, formulando teorias e tentando enquadrar a série na linha do tempo passada e futura, bem como localizar os personagens nos diversos filmes da Marvel. Isso faz com que cada episódio fique maior do que realmente é, pois cada narrativa tem a interna e a externa, que inclusive pode mudar a interpretação sobre o que se viu no episódio. Como não sou afeto aos detalhes Marvel, o assisto como um espectador comum. Os fãs traçam algo como multiverso, com realidades paralelas e ligações mirabolantes de personagem X, que é o autor Y na versão W, mas nos quadrinhos é Z (só eles entendem, estou tentando aprender com eles). Há portanto dois públicos, o que se prende ao conteúdo de cada semana e os que ficam mergulhados no espaço Marvel buscando conexões.

3 – O clima gerado pela série:

Houve o teatro, jornal, rádio, cinema, televisão, internet streaming… cada novo canal de entretenimento trouxe uma interação diferente, e fez com que os anteriores se reinventassem. O máximo que já havíamos atingido era as séries que eram entregues com as temporadas inteiras pela Netflix e suas congêneres, achei que as séries modernas seriam a etapa posterior às telenovelas. Mas eis que surge Wanda Vision e me mostra que é possível unir as séries com as discussões e expectativas geradas de um capítulo para outro como na época de ouro das telenovelas (que terminou lá por 2000, penso). Parte da web fica discutindo a série, o que nos faz querer assistir o próximo capítulo para que não nos sintamos excluídos de tudo. E isso é novo.

Penso que o WW trouxe uma nova modalidade de entretenimento audiovisual, já dando norte do próximo estágio de como os streamings irão tomar nossa atenção.

Nós e eles, os felinos

Hoje, 17 de fevereiro, se comemora o Dia Mundial dos Gatos, ainda não sei a origem de tal data.

Lembro de ser fã dos felinos desde 1979, eu tinha 5 anosl Tínhamos uma gata chamada “Bolinha”, que não lembro o destino, mas lembro que gostava de tê-la perto. Depois veio o Astrogildo, Xibiulo, Clone, Cheddar, Ozzy, Janis Joplin, Grace Slyck e Fanildo. Certa vez escrevi sobre a estranha relação dos gatos com escritores, AQUI.

Gatos não são amigáveis. A impressão que passa é que são seres selvagens que se acostumaram a ficar perto de humanos, por conveniência mesmo, tipo, para ter acesso à comida, mas ao longo dos milênios eles já nascem sabendo disso.
Se querem estar perto de você eles vem, se esfregam para marcar território, aí se enchem, e vão embora.
Se não querem estar perto, até aceitam, de mal grado, seus carinhos, tipo, para não gerar briga. A qualquer momento que se veja, o gato está elegantemente posicionado, se movimenta e porta com maestria. Possui a rapidez sobrenatural e sagacidade inimaginável e, sim, suas garras são perigosamente cortantes, fazendo com que devam ser carregados com atenção absoluta.
Resumindo, em muito são iguais a nós: seres geniosos, difíceis, imprevisíveis. Estranhamente, são e estão sempre cheirosos, não importa se são de casa ou de rua. Alguns atendem imediatamente a nosso chamado, se aproximam miando, outros saem correndo à primeira tentativa de aproach.
Cheio de lendas, se diz que não miam para outros gatos depois de adultos, se for verdade, isso é algo a ser estudado.
Já foram adorados como deuses no Egito não só porque comiam as pragas (senão outros animais também o seriam, penso), mas por ter esse gênio de não submeterem nem mesmo aos faraós (então, só podem ser divindade também, lógico!), até criaram uma deusa gata a Batstet.

Gostar de gatos é uma vocação. É ínsito (gostei dessa palavra) ser ou não naturalmente atraído pelos felinos, algumas pessoas simplesmente não gostam a vida inteira, se muito, os toleram. E quem gosta o sente sem saber explicar o motivo.
Diferente dos cães, que são simpáticos e conquistam qualquer pessoa, os gatos estão absolutamente nem aí para conquistarem alguém. Se alguma forma, chega a ser um amor bandido, unilateral.

“Cooperativa” – Esse ente entranho…

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Alguns entes, no direito, tem natureza dúbia ou múltipla.
Pensemos no Distrito Feral: Não é estado-membro, não é município, mas ao mesmo tempo tem elementos que tocam a essas duas entidades, simultaneamente.