Se você esteve nos 80’s; você tinha uma. Como eu sei? Bem, simplesmente todos tiveram. Eram quase tão populares quanto as atuais máquinas digitais.

Antes das Love

Depois de décadas sem grandes evoluções, a primeira grande revolução antes das Love aconteceu em 1978/79: As câmeras tipo instamatic. Eram câmeras onde não mais precisava colocar o carretel e instalá-lo no eixo interno: O cartucho de filme inteiro, com os dois carretéis, já vinham pronto, bastava a abrir a câmera e encaixá-lo.

Antes das Love, a “Tira Teima” foi a máquina do momento.

Então, de repente…

Eis que surge com uma avalanche de marketing aquela que, por quase seis anos, seria produto obrigatório ao homos médium: As Love.

As revistas e programas nacionais de TV foram tomados de assalto por uma novidade: Uma máquina que já vinha com filme e depois de tiradas as 20 “poses” do filme, a própria máquina (não apenas o filme!) era enviado ao laboratório, que entregaria as fotos reveladas e uma nova máquina, pronta para disparar mais 20 fotos.
Isso era a Love.

Alavancou o produto não só a facilidade de uso, mas também o fato dela ser pequenininha.

A caixa em que ela vinha era pequena. Vinha envolto em um envelope de papel metálico. Em volta do envelope havia uma folheto de instruções e um envelope para, em não havendo Sonora no local, ser enviada para a Sonora (do Japiim!).

Houve uma versão chamada “Love Plus” que vinha com um saquinho de pano e, na revelação, se recebia mais duas cópias de cada foto; e uma tal de “Love Mulher”, a diferença? ser, exceto a frente, na cor vermelho escuro e, obviamente, mais cara.
Por que tantos novos lançamentos? Bem, é que em época do Plano Cruzado houve congelamento de preços. A única saída para as indústrias da época era lançar novos produtos, pois assim conseguia-se, “legalmente”, não ter o preço tabelado (como algo sem existência anterior poderia ter preço congelado?)

O preço da Love, pelo que posso lembrar de comparação, seria algo por volta de 12 a 16 Reais hoje, lembro bem que era mais ou menos o valor de uma revelação mesmo. E o estranho era o lance da propaganda: “Você revela e recebe outra Love grátis”, é mole? Mas nem tínhamos a malícia de questionar isso.

O negativo era mais fino (não era 35 mm), mais ou menos da largura de um dedo indicador. As fotos vinham com duas cópias pequenininhas do lado, que se podia cortar e dar de presente. As “Love Plus” tinham, como eu lembrei, como o “plus” o fato de cada foto vir com mais duas, do mesmo tamanho (a revelação era bem mais cara, ou seja, “negoção” esse plus!…)

Certa vez eu abri uma Love. O mecanismo era muito simples: Nada havia de elétrico, tudo era mecânico e manual. Não havia carretel do filme, ele ficava em um invólucro circular dentro da máquina. De complexo só a abertura do obturador, que tinha um arame longo que fazia um círculo, que lhe dava a mola de abertura, ao disparo.
O giro do filme para a próxima foto era manual também, bastando girar a base do flash, que ficava em cima da câmera. Uma janelinha atrás da máquina mostrava o número da pose em que estava o filme.

O flash era vendido à parte. Quatro luzes descartáveis. (Sim, pra tirar 20 fotos noturnas iam cinco flashes). O que nunca consegui descobrir era como o flash disparava, já que não existia absolutamente nenhum mecanismo elétrico na máquina. (A minha teoria é que no flash devia ter bateriazinhas que se consumiam ao contato, mecânico, do circuito, ou deviam vir com capacitor pré-carregados, o mistério ficará insolúvel).

Algo que só depois eu perceberia é que foi a primeira, e até agora única, vez em que algo produzido e com matriz em Manaus movimentava o país inteiro.
Sim, A Sonoro, até onde eu sei, genuinamente amazonense, a fábrica ficava no Japiim. Lembro de um senhor do setor de compras da Sonora me explicando (em um comércio que tínhamos, e que tínhamos a Sonora como cliente) que chegava centenas de máquinas todos os dias para revelação (realmente, como se pode ver no selo inferior da máquina, o destino era aqui mesmo!)

O fim das “Love”

Não, não foi máquinas digitais que mataram a Love (isso só viria mais de dez anos depois), foram as empresas de revelação instantânea, como a foto-hora. Sim, passou a não fazer sentido pagar revelação mais cara que um filme comum, para apenas 25 poses (os filmes comuns vinham com 24 ou 36) e ainda esperar dias para ver o resultado. E as empresas de revelação instantânea cumpriam mesmo o prometido: uma hora e meia/duas horas depois estava tudo lá, revelado: mas não revelavam Love, então…

Já nos últimos dias da Love, a Sonora entregava uma bolsa térmica para quem levasse filmes pra revelar lá. 1988 (pelo que lembro) viu a Love sumir e, algo em torno de dois anos depois, a própria Sonora viraria história.

Aqui era a fábrica da Sonora, que produzia as “Love”. (Japiim)

Voltando ao título do post, fiz um enquete essa semana, conclui:

Se você tem mais de 35 anos —> você TEVE uma Love;

Se você tem entre 30 e 35 anos —> você não teve a Love, mas já ouviu falar sobre;

Se você tem menos de 30 anos—> você nem sabe o que foi a Love

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Atualização:

Querido Blogespectator, essa semana inseri uma nova foto no post do Avião da Praça da Saudade (no final do post), onde se pode ver o avião de perto e em nosso ângulo de visão à época. Um abraço!

comments (29)

  • Tive várias Love, ao menos o que sobravam delas, rsrs Aquela maquininha impressionava uma criança de 5 anos.

  • Marcelo Augusto Reply

    Tive umas 5 máquinas Love. Era fuleira … mas era legal!

  • Marco,

    Vou fugir um pouco da sua estatística, pois tenho 30 anos (completarei 31 anos em maio) e tive uma Love, herdada da minha irmã. Foi minha primeira máquina fotográfica.
    Seu post me fez voltar no tempo, principalmente quando li sobre as Lojas Sonoras.
    Parabéns pelo post.

    Um abraço

    Um abraço

  • Essa maquina marcou minha infância, tenho varias fotos que foram tiradas com ela, lembro que o meu pai sempre comprava era um sucesso….putz que massa essa materia.

  • era bom qdo as fotos keimavam num evento…e ai? como é q se faz aniversario d novo? como é q viaja d novo? como é q encontra aqle artista d novo?

  • Eu tive uma, e se tenho alguma recordação hoje é graças a ela. Não tinha condição de comprar uma kodak .
    Abraço!

  • Boa tarde!

    Eu tenho uma máquina Love dos ano 80 e gostaria de saber se a Fabrica ainda existe, pois eu ainda tenho fotos nesta máquina, será que ainda da para revelar essas fotos? São fotos da minha infancia e adoraria te-las…

    Aguardo retoro de alguém com urgencia.

    Obrigada.

    • Marco Evangelista Reply

      Olha, aqui em Manaus (vc é daqui?) só conheço a “Foto Nascimento” que ainda revele filmes de negativo, e um fotógrafo em Educandos, que não sei se ainda está atuando, chamado “Emmanuel Araújo”, que também revela negativos. Com certeza a abertura da máquina vai ter que ser manual mesmo, penso.

  • Eu tive Love e ainda tenho uma guardada. Mas uma máquina que tb tive e tenho guardada e não sei se estou certo mas acho que veio antes da Love ou na mesma época era a “TEKINHA”, alguém se lembra? Ela vinha só o corpo da máquina de plástico, aí vc comprava aqueles filmes de cartucho e encaixava atrás dela e ia virando manualmente o filme. Ela não tinha flash então só se tirava fotos de dia. O visor para olhar o objeto a ser fotografado era só um buraco na parte de cima da máquina, não tinha nem lente. rsrsrs Tenho várias fotos dela guardada. Foi minha primeira máquina. Um abraço a todos.

  • MAQUINAS LOVEEEEEEEEEEE AI ERA FANTÁSTICA! GOSTARIA TANTO DE VOLTAR AO TEMPO; GOSTARIA MUITO QUE ELAS VOLTASSEM, APESAR DE TODA ESSA TECNOLOGIA QUE TEMOS NO MOMENTO, IA ADORAR DAR UMA DESSAS PRA MINHA FILHA BRINCAR.

  • EU TIVE VÁRIAS MÁQUINAS LOVE! GOSTARIA DE COMPARTILHAR A FOTO NO FACE! VAI SER LEGAL, VER AS PESSOAS DANDO RISADAS, COMENTANDO…

  • Olá!! Eu tenho uma Love contendo minhas fotos de infância, porém elas nunca foram reveladas como vocês podem imaginar. Gostaria de revelar as fotos que estão nela pois são as únicas fotos que foram tiradas da minha infância. Não consigo achar uma loja que revele as fotos, por esse motivo venho aqui pedir que alguém me indique um lugar (de preferencia em Belo Horizonte) onde eu possa revelar as fotos da minha Love.
    PS. Tenho 21 anos xD

  • Olá, alguém tem uma love para vender? Estou louca atrás de uma. Será que não sobrou nada na fábrica Sonora? Será que não tem algum ex-funcionário que tenha uma para me vender ou alguém não pode me indicar alguma loja na Santa Efigênia onde eu ainda possa encontrar uma love? Grata.

  • ola tenho uma love,ja usada o fime,mas esta inteira,vendo para olecionadores,obrigada.

  • Aahh que saudades desta época!
    Eu fui a modelo exclusiva deles. rsrs
    Eram pessoas maravilhosas.

  • Minha cidade natal no interior da Bahia era muito pequena, aliás,ainda é.Naquela época, década de 80, com meus 13 anos, minha mãe presenteou-me com uma love, foi um sucesso, virei o fotógrafo amador oficial da cidadezinha que já tinha uns dois fotógrafos, porém, as minhas fotos eram mais baratas. Lembro-me que convocavam-me para registrar batizados,casamentos…em um desses chamados, deparei-me com um defunto em um caixão, a esposa queria que eu registrasse a partida daquele ente querido, já sabendo que o cliente sempre tem razão, o desejo daquela chorosa mulher foi atendido. Observação:
    Até hoje não sei o que saiu naquelas fotos,pois fiquei com os olhos fechados, apontei a máquina para o finado e disparei umas 3 vezes, quando as fotos chegaram, pedi para a minha irmã colocá-las em um envelope e entregar rapidamente à viúva.
    Entre o envio a Manaus e volta ao interior da Bahia, as fotos demorava tanto tanto no trajeto que naquela altura, receber as foto do falecido já não tinha mais importância para a viúva, pois, certamente ela já tinha pretendentes; brincadeira!

  • Fábio Venhorst Reply

    Os magicubes funcionavam com espoleta de fulminato de mercúrio…

  • Eliezer Macedo jr Reply

    Gente…. eu tenho exatamente 30 anos de idade mas eu tive o prazer de ter uma LOVE… muito bom. pelo que eu me lembro, ainda hoje tenho fotos reveladas de uma LOVE por volta de 1992, em Teresina. Nesse tempo eu ainda ouvia falar dessas cameras e tivemos ainda 3 exemplares para tirar outras fotos…. dos três exemplares, ainda tenho UMA como recordação. Bons momentos que não voltam mais.

  • Rísia Rodrigues Reply

    Caro colega,parabéns pelo blog!
    Sou pesquisadora e preciso saber o ano de lançamento da Love. É que preciso identificar de quando é uma foto. No registro fotográfico tem uma propaganda da love. Pode me ajudar?
    Rísia Rodrigues

  • Natália Caplan Reply

    Até hoje, meu avô é lembrado como um visionário. E ele era! Tinha uma paixão pela fotografia. Saudades dessa época… Pena que acabou de uma forma tão súbita.

  • O Flash era químico. O disparador mecânico, misturava dois materiais (que não faço idéia do que sejam) e com isso, pela reação química era gerada a luz do flash.

  • Tive essas porcarias. Revendo as fotos da época, as que foram reveladas na fotótica estão perfeitas, as reveladas na sonora perderam as cores e nitidez. Claro que com os recursos da época era um sucesso. Hoje em dia seria como uma tekpix em termos de qualidade.

  • Marcos Valença Reply

    Marco, posso garantir que as máquinas Love estavam em pleno uso em Recife – PE – em 1990. Tenho um álbum com fotos feitas pela Love e, claro, reveladas na Sonora. Ainda tenho uma foto grande, emoldurada em vidro, na parede com a marca Foto Studio Sonora em dourado!

  • willian abtibol Reply

    Marcos, incivelmente ontem sonhei com a turma da produção da Sonora, por isso busquei pesquisar algo sobre o tema e me deparo com este blog, trabalhei na SONORA, foi meu primeiro Emprego como esquecer e digo mais, o Laboratórios Sonora era o maior laboratório da América Latina e o maior cliente da Empresa Brasileira de Correios,. No Brasil todo haviam postos de captação de love e filme sonora, você deixava o filme no posto e em poucos dias recebia a reveleção de volta, tudo era revelado em Manaus, no Laboratório da Sonora que operava em três turnos, fantástico, com o tempo a Sonora passou a importar os minilab´s iguais o da Foto Nascimento que era nosso cliente de químicos, e insumos. No Amazonas, quem nunca teve uma revelação Tri-foto, uma foto 15×10 com duas pequenas grátis. Abraços a todos que fizeram parte desta história, acredito que muitos dos amigos já se foram, pois eu era caçulinha da turma com apenas 16 anos, trabalhando lá a´te meus 20 anos saindo apenas por conta da demissões voluntárias na época da falência.

  • willian abtibol Reply

    Marcos, seria uma ótima criar uma espaço para que coelgas do fim doa anos 70 e início dos anos 90 ( período forte do Distrito Industrial,) pudessem se reencontrar e dar notícias de por onde andam

comments (29)

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