Estou assistindo aos DVDs dessa série, começando pelos da safra “Unidade de vítimas especiais”, que buscam solucionar casos de crimes sexuais.

Quando se assiste a um episódio após o outro, se consegue descobrir uma linha-mestra nos roteiros:

1 – Encontram um corpo (ou raramente a vítima continua viva durante o episódio);

2 – Corta para os detetives pegando informaçãoo das pessoas e local;

(Abertura do episódio – sim, a abertura só ocorre após as cenas que acabei de citar)

3- Começam a seguir as pistas;

4 – Uma ou duas reviravoltas na trama – o principal suspeito morre ou alguém do nada se mostra um provável culpado;

5 – Algum entrave entre os investigadores e a promotora – um deles quer indiciar alguém, o outro não vê motivos bastantes;

6 – Algum entrave com o juiz (ou no gabinete ou na audiência) – Geralmente para validar alguma prova ou conseguir algum mandado;

7 – Última cena, sempre em tom melancólico, mostrando que o caso foi solucionado – o culpado consegue ser sempre o mais improvável dos personagens, mas depois de assistir a uns 12 episódios, já se fica ciente disso e se consegue acertar o criminoso só excluindo os prováveis e obviamente culpáveis da linha de investigação: o que estiver acima de qualquer suspeita até o meio do episódio, será o culpado.

(fim do episódio)

 

A vantagem desses episódios é nunca terminarem em “final feliz”, às vezes terminando até com frases pela metade ou com a vítima tendo sido cúmplice do próprio crime. Detalhe: Não há julgamentos (nunca ficaremos sabendo das sentenças, já que a série é sobre a investigação policial), todas as sessões e atos judiciais são sempre cautelares, ou seja, visando a um processo principal (que começa só depois que termina o episódio);

Encontrar o criminoso está a cima de qualquer coisa – fica claro que nenhum dos detetives tem vida pessoal. E vale a máxima: Os fins justificam os meios SEMPRE – vale mentir, bater, burlar a própria lei, desde que seja para descobrir o autor do crime;

As audiências ocorrem um ou dois dias depois de quando precisam: isso é que é eficiência de pauta! – algumas audiências duram três minutos.

A promotora acusaria até a própria mãe – negocia penas perpétuas ou de morte como se estivesse negociando banana na feira;

Os advogados surgem como os vilões, já que impedem os interrogatórios dos suspeitos;

Aliás, os interrogatórios seguem o mesmo esquema: eles contam como foi o crime e colocam o acusado na linha da história, quase que convencendo-o de que foi ele que praticou o fato. Não há garantia constitucional alguma ao interrogado – a única que respeitam é “eu quero meu advogado”.

Detalhe técnico – Gosto de como se fazem os mandados lá: O juiz despacha na própria petição e essa petição já vira o próprio mandado, não é como nesse sisteminha judiciário furreca como o nosso, onde o juiz despacha, vai para uma central de mandado, volta para o juiz, ele assina e só então o mandado fica pronto, arghhh….

Os erros de traduçãoo são clássicos: Chamam “provas” de evidências. E o “protesto” (objection) também é às vezes traduzido a machado, gerando um “Objeção!” nos julgamentos. Curiosidade: Nos episódios dublados, às vezes a tradução difere das legendas.

Bem, Estou assistindo já a terceira temporada (é um ótimo remédio para a estadia forçada nos engarrafamentos de Manaus).

E sim, recomendo – vez ou outra vou levar a discussão de algum episódio para encaixar em algum assunto que eu esteja ensinando em sala de aula.

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