Como um ótimo show é estragado por um péssimo som?
Ontem, 2/5, fui ao show do Ira!. Estão excursionando com a turnê “Acústico”, um disco (leia-se CD) que lançaram em 2006 em parceria com a finada MTV.
Antes do show, houve pré-show com a banda local “Critical Age”.
O local estava fisicamente bem agradável, estávamo (eu a digníssima) no front que, embora tenha esse nome conito (“Front”), nada mais era do que o meião, em pé. O que chamaram de “pista”, com ingresso mais barato, era atrás das cadeiras. Bem, eu quis ir de cadeira, mas já estava esgotada. Vamos de “Front” então (de pé em frente ao palco).
As pessoas estavam bem distribuídas e nãoi estava lotado ou apertado. Eu, no alto do meu menos de 1,60m via minimamente bem o palco.
A banda “Critical Age” estava ótima, afinadíssima e afiadíssima, entrosados. Destaque para a baterista, que usava só um tamborzinho trigado na frente, que obtinha o som de toda a bateria, e tocava cismaticamente.
O som (quando me refiro a “som” aqui, me refiro á equalização, á regulagem do som) – se podia ouvir bem cada instrumento, a voz estava integrada à base sonora – ótimo som.
Terminou o pré-show.
Começaram a passar clips de artistas e bandas dos anos 80, clips bem legais. Mas aí comecei a estranhar: o som dos clips começaram a ficar mais altos, e eu pensei “Como estão deixando o som o pré-show tão alto? O correto é deixarem o volume máximo para a banda principal!” – É assim desde que frequento shows em 1987.
Com quase quarenta minutos de atraso, entra o Ira!
Saudado altamente pela plateia, os caras realmente estão em forma! (são dois integrantes originais, o Edgard e o Nasi).
Eis que a parte ruim começa.
O som estava alto, embolado e estourado. Mais alto até que o som dos clips.
Alto no sentido de estar doendo no ouvido (antes que digam que é chilique meu, ví uma mulher levando as mãos aos ouvidos).
Bem isso não seria de todo ruim se a qualidade do som estivesse boa.
Estava tudo em uma mesma massa sonora, tudo misturado que, se não estivéssemos olhando para o palco, não conseguiríamos distinguir quais instrumentos estavam sendo tocados. Estavam em, no que chamamos no audio “guerra de frequência”, quando as fontes ficam no mesmo espectro do equalizador e fica realmente horrível.
Mas vai piorar: o som do vocal estava estourado – algo que dava para resolver com um compressor. ]Bom, não aguentei ficar o show inteiro, saí pouco antes da metade.
A banda estava ótima em qualquer sentido; e se tivessem com a mesma equalização da banda de abertura, certamente seria um show memorável.
Sim: a qualidade do som da banda de abertura (“Critical Age”) estava muito – muito- melhor que o som do Ira!
Talvez a mesa automatizada estava com a “cena” automática genérica, faltando regular para o local de apresentação específico. Ruim, uma pena.
Vida longa ao Ira! Irei de novo para um show deles quando puder, e espero que, dessa vez, o som esteja à altura da banda.