O lugar certo, com a companhia certa e o show certo.
Era feriado de Tiradentes. Um show no Teatro Manauara (Manaus) prometia juntar o clã da “Geração X”. Dito e feito.
Era pouco mais de seis da tarde quando chegávamos no teatro para o show – show às 18:30h! – Horário mais “50+” impossível!
Era o show do Leo Jaime, intitulado “Desplugado”.
Leo Jaime era um dos condutores e protagonistas do “Rock Nacional” dos anos 80, carinha de mocinho mas letras de bandido, o meio-termo entre Metrô e Camisa-de Vênus.
Era lá por 1983 ou 84 quando lá por casa alguém chega com o disco “Phoda-C” do Leo Jaime, já comecei a gostar dele dali, era o disco que tocava as festinhas de garagem da nossa época de ouro (leia-se início da adolescência). A explosão de popularidade do Leo veio em 1986 com seu disco “Sessão da Tarde”, onde trazia “As Sete Vampiras”, que até filme gerou.
Toda década de 80 teve Leo Jaime na frente – Nos anos 90 sumiu, depois ressurgiu com ocult, e hoje é ídolo.
Era esse ídolo que eu iria assistir.
Ele já iniciou o set com “A Vida Não Presta”, o que já o fez dominar a platéia de pronto. A audiência já estava ganha.
O show foi intimista – sem banda. Só Leo e Gui Schwab, Cada um com vioão, perfeitamente equalizados – som puríssimo.
O roteiro permeava músicas e histórias, o que nos mostrou tanto o artista quanto a pessoa.
Toda música dele tocada era uma pedrada – pelo menos mais uma dez músicas conhecidas dele ficaram de fora do show (como “Só”, “É, eu Sei”, “Ora Bolas!”, “Amor Colegial” e “O Crime Compensa”) – Mas, as que ele tocou, valeram a noite.
Inseriu umas quatro músicas menos conhecidas e algumas não-dele, mas que, pela execução, nos ganharam.
Na plateia, só pessoas na faixa de 50 e mais anos de idade – alguém esporadicamente mais novo aqui e li.
Acabou sendo uma celebração de uma geração – e as histórias que ele nos contava nos levava há 40 anos passados.
Não fosse o horário de término pré-definido (haveria show da banda “Black” depois), se ele quisesse tocar mais uma hora lá, ainda estariam na vibe.
Foi um daqueles shows que assistimos e guardamos, e ainda contamos que assitimos.