Tamagotchi (1996)

Já começo com uma confissão vergonhosa: eu tive um. Bem, se isso ajuda, (quase) todo mundo teve ou, ao menos, ficou curioso quanto. Vamos aos fatos:

Era uma das muitas porcarias dos anos 90. Só agora superei a vergonha de ter tido um e posso escrever sobre. Deem um desconto, era a moda do momento.

Os Japoneses devem ter caído em uma época de solidão coletiva, então, criaram um aparelhinho onde um bichinho virtual precisava ser cuidado para que ficasse feliz. Uma loucura bem japonesa. Lá se justificava: pouco espaço pra tudo, onde se ia criar algum animal doméstico mesmo mas… no Brasil? Ora, no meio de tanta porcaria que rolava nos anos 90, a verdadeira década perdida, é óbvio que essa bomba tinha que pegar por aqui… E pegou! Todo chaveiro ou bolsa exibia um pendurado.

Se podia entrar na Fiorentinna do Amazonas Shopping e, olhando em volta, se podia ver ao menos uns seis desses sobre as mesas em volta.

Precisava fazer carinho no bicho pra ele ficar feliz, como? Apertando um botão lá.

Se precisava dar comida também, o bicho ia crescendo tanto quanto fosse alimentado, ia ficando triste quando ficava com fome, o meu vivia morrendo desnutrido, aí se apertava um botão e um novo bichinho “nascia”. Simples assim.

A coisa funcionava por uma semana: Até o terceiro dia você achava legal, no quarto dia já perdia a graça, no quinto era uma chatice, no sexto era esquecido e no sétimo já nos perguntávamos o porquê da leseira.

Antes das críticas, vamos ao contexto histórico: Os celulares só tinham uns dois jogos (o da cobrinha e o tetris), internet móvel sequer era previsto naquela época – então, o máximo que se tinha de passatempo além-casa, era esses monstrinhos. Ao menos se matava a curiosidade.

Um mês depois já refeito de ter tido um bagulho desse, já era história. Passou essa droga, ainda bem (ao menos gerou um post pro meu blog agora, 13 anos depois).

1 thought on “Tamagotchi (1996)

  1. Tive vários tamagotchis na época, abandonei todos hahaha

    Mas se bem me lembro, os smartphones trouxeram esse mesmo conceito em jogos para crianças, mas que adultos também amavam; lembro de dois famosos, o Tom e o Pou. Chequei agora na Play Store e sim, ainda tem gente jogando!

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