Regravar a própria música – Um “audiocídio”

É uma bomba: músicos e bandas que regravam suas próprias músicas.
Nunca fica bom, por um motivo simples> seu público já se acostumou com a gravação original, foi ela que entrou no inconsciente coletivo.
Uma regravação destroi a magia do som ofiginal da faixa.
Os motivos para perpetrarem uma auto-regravação são dos mais diversos:
Substituir músicos para que possam postar nos serviços de streammings;
Conviccção de que devem modernizar o arranjo;
Certeza de que “poderia fazer melhor” na nova gravação.
Opinião que a qualidade da gravação irignal possa ser tecnicamente melhor.

Desde adolescente eu já sentia asco dessas presepadas, desde que escutei uma regravação de “Quero que vá tudo pro inferno” do Roberto Carlos, feito pelo próprio. Terrível, para dizer o mínimo.
Em 1986, vários músicos amazonenses gravaram uma coletânea chamada “Nossa Música”, várias dessas faixas se tornaram bem conhecidas. Ao longo dos anos, quase todos esses artistas caíram na besteira de regravar suas músicas. O Som ficou melhor, mais bem gravado e tals… mas não chegavam aos pés das originais, arghhhh!
Dia desses ouvi no Spotify uma regravação bizarra dos Scorpios, da “Still Loving you”, e tentaram fazer tudo igualzinho à original de 1985 mas, claro, não conseguiram, o que me fez gostar ainda mais da versão original.
Eu mesmo já incorri nesse erro”!
Uma música minha de 1993, “Nós só temos que esquecer” foi a vítima.
A gravei em 1993 com a Alta Ralé, Chegou à segunda mais tocada na Radio Cidade por umas 3 semanas (perdeu apenas para o “Eu só quero amar” do Tim Maia, que estourou naquele ano).
Mas não gostava da letra, então a regravei em 2007 no meu CD-Solo, mas era acústico, então a regravei pesada de novo em 2016 com minha banda Noiantes.
tecnicamente está ótima, a letra foi consertada. Mas não é a mesma coisa, a antigona, primeira, ainda me soa melhor, talvez por todo o afetivo envolvido nela.
Então, fico à vontade para descer o cassete em quem se auto-regrava, já fiz essa caca.
Por questão de honestidade intelectual, preciso citar UMA exceção: Adelson Santos, músico amazonense, regravou sua música “Argumento”, com o nome “Não mate a mata”, em disco posterior com esse mesmo nome. Aqui, realmente, a regravação (na verdade, acho que uma nova versão, quase) ficou, sim, infinitamente melhor que a original.

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