O “era feliz e sabia” trazido pela idade

Uma das coisas boas da idade é saber reconhecer um momento como inesquecível.
Vez ou outra vivemos momentos inesquecíveis, mas que só o reconhecemos como tal bem bem depois; e nos sentimos culpados por não termos percebidos, no momento vivido, sua importância. Só bem depois percebemos que aquilo ali deveria durar para sempre, algo como “eu era feliz e não sabia”.

Mas um switch ocorre, geralmente depois dos trinta e poucos anos: quando vivemos um desses momentos, agora passamos a saber que aquilo passará a fazer parte da galeria dos momentos eternos.
Isso traz vantagens e desvantagens, a desvantagem é saber que aquilo um dia será lembrado com saudade e não com a alegria daquele momento, e a vantagem é saber que será saudade justamente por causa da alegria daquele momento, e nos fará vivê-lo ainda mais, “in time” como diria Lair Ribeiro nos anos 90.
Em algum momento, é como se nos dividíssemos em dois: um de nós vive o momento, o outro, contempla estarmos vivendo aquilo, como que gravando tudo e a perceber cada detalhe em volta

E o melhor de tudo é que, no futuro, quando lembrarmos daquilo, a saudade virá com a felicidade de sabermos a importância daquilo enquanto acontecia, agora com uma visão bem diferente, a do “era feliz e sabia”.

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