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A “Total Vídeo” (1984)

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Quem passa pela Av. Japurá e vê aquele prédio azul, não imagina que a história das locadoras de vídeo em Manaus nasceu ali…
1 – Era 1984, desde 83 algumas famílias já tinham vieocassete em casa, a versão doméstica do vídeo-tape, que usava fitas VHS;
2 – A “Total Vídeo” foi a primeira locadora de vídeos de Manaus (alguns dizem que foi a Bemol, que tinha um videoclube também, mas eu acho que foi a Total Vídeo mesmo;
3 – Pagávamos algo para ficar com um filme por 3 dias ou uma semana (havia preços diferentes por quantidade de dias); lá, alguns milhares de filmes podiam ser alugados;
4 – Era uma das diversões da tarde de sábado, íamos para lá, meu pai ficava andando pela locadora enquanto eu e o meu irmão locávamos uns 6, 8, 10 filmes. Tínhamos um Philco-Hitachi PVC-3000. Meus filmes preferidos era de terror e suspense, naquela época, filmes como “Psicose”, “Massacre da Serra Elétrica” e “A Morte do Demônio” REALMENTE geravam MEDO, acredite;
5 – Nas paredes da Total Vídeo ficavam fichários parecidos com os que guardavam cartões de ponto nas empresas. Um ou vários stands de fichas, com as fichas encaixadas somente com o nome do filme à mostra.
6 – Eu nunca a encontrei vazia, sempre que lá foi estava com muitos clientes, fim de semana era ainda mais cheio e havia até uma pequena espera no balcão para formalizar a locação;
7 – Era algo como três reais por dia por cada filme. Pouco, mas como locávamos (e acho que todos os clientes faziam o mesmo) vários filmes e por pelo menos uns 3 dias, totalizava valor considerável…;
8 – No videoclube da Bemol, pelo que lembro, funcionava diferente: se pagava mensalidade fixa e se tinha direito a “x” filmes por semana (dois, parece);
9 – Havia propaganda da Total Vídeo em horário nobre, passava cenas de filmes com os títulos no letreiro (um deles era o “Buth Cassidy”) e ao final o locutor mandava: “Total Vídeo: A emoção do cinema em sua casa” (ou era “O melhor do cinema em sua casa”);
10 – Eram fichas em forma de “T”. Em cada ficha tinha o nome do filme, o ano, se era colorido ou p/b e a sinopse. Tudo batido a máquina datilografado (ara, quem fez aquilo deve ter tido muita paciência…). Sabíamos quais eram os filme mais locados só pelo estado da ficha. “E.T. – O Extraterrestre”, por exemplo, tinha a ficha toda detonada de tão manipulada já;
11 – Um uma parede reservada ficavam os mostruários de filme erótico e pornô (um fichário para cada um);
12 – Cada cliente tinha uma fichona, com os códigos das fitas locadas. Cada fichona ficava encaixada em um envelope, e nessa fichona ficava, presa com clips, as fichinhas das fitas locadas (computador? Pra que?)
13 – Ao devolvermos a fita, duas coisas eram checadas pelos balconistas: se a fita estava íntegra e, a mais importante: se estava rebobinada. Se não estivesse havia multa a ser paga. Aliás, os aficionados por locação de fitas tinham em casa sempre um rebobinador, pois dizia a lenda que rebobinar fita no videocassete sujava as cabeças (que era como chamávamos o “cabeçote” do vídeo);
14 – Ah, lembrei! Bem atrás dos balconistas ficavam umas duas máquinas de rebobinar fitas, e que tocavam uma musiquinha enjoada quando terminava de rebobinas, penso o quanto devia ser estressante aqueles balconistas ouvirem aquela musiquinha seguidas vezes ao dia…
15 – Nos folhetos de locação se podia ler: “Caso seu videocassete trave com a fita dentro, não tente retirá-la, contate-nos e tentaremos ajudar de alguma forma”;
16 – Era lá pelo fim de 1986 quando compramos o segundo videocassete para a casa, um “Loyd’s” (nunca mais ouvi falar nessa marca) e, quando gostava muito de um filme, copiávamos (com os cabos “video/audio in e out”). Ainda que gostássemos de pensar o contrário, a qualidade da cópia era terrivelmente ruim;
17 – A diversão começou a acabar quando a Embrafilme (a Ancine da época) proibiu a locação de fitas copiadas autonomamente (um eufemismo para fitas-pirata). Só podiam ser locadas as “fitas-seladas”, eram as com selo holográficos.
18 – O resultado foi rápido: os estoques de filmes das locadoras caíram pela metade (os mais legais, sumiram) e, das fitas que restaram, o preço da locação quase dobrou.
19 – A sequência foi previsível: iniciava o declínio das locadoras pioneiras, iniciando uma nova geração de locadoras que tinham estoque e opções reduzidíssimas, algo nem de longe comparável à Total Vídeo;
20 – Foi por volta do início de 1987 quando a Total Vídeo fechou, e nunca se viu desde então algo parecido à ela. Tenho certeza que os os entre 40 e 50 anos sempre que passam pela Japurá imaginam aquele prédio pitado de preto e branco, ainda.

(p.s.: desde que iniciei esse blog há 7 anos sempre quis escrever esse post. Yesssss…!)

2 COMENTÁRIOS

  1. Oi, a Total não fechou em 1987, não, pois em 1993 eu ainda alugava filmes lá – inclusive um após o Palmeiras ser campeão, em um 12 de junho de 1993. Sinto falta dessa locadora, foi a minha formadora.

  2. Eu fui sócio da Total Vídeo. A casa do meu amigo Edson Paiva Jr ficava na mesma rua, já perto da Joaquim Nabuco. Bons tempos!

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