Em 1974 meu pai esteve em São Paulo. Ele nunca me contou nada sobre aquela cidade, exceto algo, que lembrava: de ter estado em frente ao Joelma, o edifício, que meses antes havia incendiado e onde morreram 191 pessoas no sinistro; quando eu estive em SP pela primeira vez, o taxista fez questão de apontar o Edifício “Praça da Bandeira” e dizer: “Esse aqui era o antigo Joelma, que…”.

Tragédias marcam. E o local onde ocorrem também, pois imaginamos mais de perto o que passaram aquelas vítimas. Ficamos perto da realidade.

É que temos sentido desde a última sexta, depois do terrível acidente que ainda está atravessado em nossas mentes.

Por algum motivo, ainda não ficamos em paz com aquele acidente. Bush disse algo sobre o atentado às Torres Gêmeas que bem cabe aqui: “Cada um que morreu ali era a pessoa mais importante na vida de alguém”.

Todos nós passamos ali naquele trecho da Djalma Batista alguma vez na semana, e é impossível não imaginar o que e como tudo aquilo ocorreu.

De alguma forma, ainda que não queiramos, alguns pensamentos nos invadem:

 

1 – Poderia ter sido eu ou você, qualquer um, a qualquer momento e, pior, pode ser quem nunca imaginamos que será;

2 – Existem mortes aceitáveis e inaceitáveis; explicáveis e inexplicáveis – e nos sentimos mal por não podemos fazer nada para diminuir a dor dos que perderam alguém lá;

3 – A vida é “nada” – Basta algo pequenininho e este segundo, agora, pode ser o seu último;

4 – As pessoas que você ama agora estão aqui, agora não;

5 – Ficamos incomodados de deixarmos coisas e situações mal resolvidas – tememos “adeus” sem o “tchau”;

6 – Não basta dirigirmos bem; existe o fator “sorte” para que o outro também o faça;

7 – Se existe algo/alguém além do que vemos, tem um sentimento de “certo” e “justo” bem diferente do nosso.

 

Meus sentimentos aos familiares das vítimas. Que possam voltar à vida e serem felizes, de alguma forma.

 

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