Eu não pensei que chegaria aqui.

Naquele início de 2004 eu achava que seria contador, havia acabado de colar grau na área .
Ja estava entregando minhas causas de advocacia. Só mantinha uns clientes que me pagavam uns duzentos reais por mês, fixos; recebia ainda uma pequena bolsa da FAPEAM, do Mestrado. Oitocentos e quarenta reais ao mês me parecia atraente – era quanto a UEA estava pagando para professor especialista , em seu processo seletivo.

Cogitei, mas não decidi me candidatar. Com o incentivo de minha então colega de Mestrado, Lúcia Viana, me inscrevi.
Direito Civil, três vagas. Fiquei em terceiro.
Não sabia como seria; entrei de gaiato na aventura.

Terça, oito da noite, eu adentrava àquela penúltima sala do corredor do segundo andar.
Nunca ministrara aula antes, muito menos em faculdade. Todos me olhavam e eu tratei de me proteger atrás da mesa, claro; foi minha primeira, e única, aula sentado.

Passei mais de uma hora só explicando o que seria tratado naquele período – é que eu não havia feito plano de aula (sabia nem o que era, ainda) e, bem, montei-o “ao vivo”…; a julgar por aquela primeira atuação, eu seria um desastre. Na segunda aula eu já estava bem diferente.

Só tive certeza que eu funcionaria bem no magistério quando, naquela sexta, a Coordenadora me disse que os alunos haviam me elogiado. Eu nada havia feito de especial e agradei: era o sinal; podia sair do estado de gaiatisse e levar aquilo tudo a sério.

Nesses dez anos, ministrei sete disciplinas, em todas mergulhei com a alma.
Estive sob o comando de 12 pessoas, quase todas amáveis e inesquecíveis.

Em seis faculdades – quatro delas simultaneamente.

Penso no que já melhorei; e mais ainda no que preciso melhorar.

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