Gosto muito do prefeito de Manaus, Artur; nem sequer o conheço pessoalmente, mas gosto dele – age com a alma, coração e mente na administração de Manaus. Mas, aqui, penso, erra.

– Que nosso sistema viário e mobilidade urbana está em coma não se discute. Precisa solução. De triste memória, houve uma tentativa, era o “Expresso”, um sistema que previa corredores exclusivos para ônibus. Saíram alargando ruas, sem pagarem um centavo pelos metros desapropriados dos cidadãos, tudo para montar o corredor central nas ruas, e umas paradas igualmente diferenciadas, no canteiro central da via; algumas dessas paradas demolidas logo depois de erguidas porque “erraram no estudo de localização”, para serem reconstruídas uns cincoenta metros adiante.

– O sistema começou a funcionar, capenga. Logo surgiram os defeitos:tornou ainda mais inviávia o trânsito dos outros automóveis (lembro que não é só questão de conforto, estamos falando em circulação de riqueza, de transporta de cargas e passageiros, polícia, ambulância, abastecimento e outras viaturas relevantes – foram comprimidas no que restava de faixa de tráfego.

– Para alívio dos Manauenses, o prefeito subsequente aboliu aquela baboseira.

– Como fênix, mas dessa vez, renascida do inferno, ressurge a ideia do Expresso, batizada com sigla BRS – Bus Rapid System. Já vimos que não funciona, mas a administração, não.

– O trânsito, ainda pior do que naquela época, virará estacionamento em asfalto de uma vez. O que nos conforta é que, esperamos, seja isso apenas um bocejo de vitrina para a Copa que, se tudo correr bem, logo o projeto será abandonado depois dos jogos.

– Dizíamos, quando eu cursava o Mestrado, em 2002, que o projetista dessas paradas (do Expresso, agora BRS), tinha sido Justo Veríssimo. Justo Veríssimo era um personagem do humorista Chico Anysio, cujo bordão era “Eu tenho horror a pobre! Quero que os pobres se explodam!”. Então, as paradas ficaram com a imagem de “mata-pobres”; vejamos: As paradas estão no canteiro central…. hã? Isso mesmo: Os usuários terão que atravessar a rua para tomarem os ônibus. O problema surgirá quando aquele usuário chegar atrasado para pegar seu ônibus e sair cortando a frente dos carros para não perder o transporte: lá virá mais uma morte inútil. E quando surgir o primeiro atropelamento, alguém lembrará de responsabilizar o gênio criador dessa Donzela de Ferro?

Por último:

– Por que não se faz algo de verdade e se implanta metrô, clássico ou de superfície, aqui, afinal? A capacidade de endividamento da cidade o permite. Eu explico o motivo: É que nenhum mandatário gosta de obras de tão longo prazo que não possa ser inaugurado no seu mandato.

(Obs.: Esse post trata de Manaus, foi escrito em 11 de janeiro de 2014 – não tenho dados técnicos; me apego à vivência de quem passa pelo local diariamente; se eu estiver errado, que fique o registro futuro do erro. Se eu estiver certo, que fique claro que todos nós já sabíamos o que só a administração pública não percebia quando (re) pensou essa bomba).

bbbb

 

comments (2)

  • Está chamando as pessoas que pegam ônibus de pobre? Ralé porque pegam ônibus? Muito preconceituoso esse texto.

    • Marco Evangelista Reply

      Rememorei um texto que era dito pelo personagem de um programa do Chco Anysio Show dos anos 70 e 80, que eu não sei se é do seu tempo, e como as paradas de expresso eram conhecidas em 2001. Está indicado no texto tais referências.

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