O áudio pode ser ouvido AQUI

Eu já tinha essa linha melódica e um esboço de letra há algum tempo. Finalize-a para a festa do meu casamento. A letra terminou de ser escrita (e o que já estava ponto, mexi) em um quinta, 20 de dezembro.

Eu queria aprontar uma música que falasse de amor sem ser romântica, sem ser aquela coisa melosa. arrastada e piegas do tipo “Eu te amo meu amor” (Arghhh…). Algo que falasse da mulher da minha vida sem ser uma balada água com açúcar. Assim nasceu “Anne”.

Desde que escrevi a letra, há uns anos, a música se chamava “Edy” (convenhamos, “Edyranne” iria matar qualquer atração da letra, né não?). Só que a Edy disse certa vez que preferia ser chamada de “Anne”, então, meio que a contragosto (porque “Edy” na letra soaria melhor), mudei o título e o refrão para “Anne”:

 

Anne

Nem sempre a noite acaba quando nasce o sol

Mas o seu brilho ofusca o sol

Nem sempre o problema acaba quando a solução vem

Com Anne a solução vem

 

 

 

Refrão:

 

Eu já disse a Anne que ela tem nas mãos corpo, mente, alma e o coração de alguém

Rosto e forma do destino, tempo eterno, lindos olhos, tudo em volta seja mal ou bem

 

 

Nem sempre o universo sorri ou está certo

Mas tudo enfrenta sempre perto

Em pleno alinhamento de mentes tão completas

Da calma a sedução desperta

 

Como foi a Gravação

Dia 21 foi a gravação. Gravei todos os instrumentos da faixa.

Cometi vários erros, conscientemente. Não estava ensaiado, nem esquentado, as cordas dos instrumentos estavam velhas e bem dizer iria improvisar no estúdio, nunca se deve fazer essas coisas, afinal, a hora é caríssima (mais de cem reais!), é um grande taxímetro e nunca a expressão “tempo é dinheiro” foi tão adequada a uma atividade.

Primeiro gravamos a voz-guia, só voz e metrônomo;

Logo depois gravamos a bateria, acho que foram umas oito passadas até ficar aceitável. Jamais havia tocado com metrônomo, foi minha primeira experiência e justo em um estúdio – eu poderia gravar sem metrônomo, mas seria impossível editar partes da música se eu quisesse, depois.

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Logo depois gravei o baixo. Levei o meu velho Rickenbacker que comprei em Londres em 1996. O som foi elogiado pelo técnico; aquelas cordas já estão com 18 anos naquele instrumento, e deu conta do recado maravilhosamente!

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Gravamos o piano, o cravo e o órgão hammond (o cravo mezzo sintetizado entra nos refrões, e o órgão hammond entra no solo de flauta) – Foi o mais rápido e fácil de gravar, em meia hora as três pistas estavam gravadas eu sabia que aqueles meus quatro anos de piano me seriam úteis um dia!).

Partimos para o vocal, embora seja a mais fácil de todas as pistas, a atenção é redobrada para além da afinação, estar com a dicção perfeita para que a letra seja inteligível. Três pistas de vocais: o principal, o agudo marcante e o grave ressalto.

O solinho de flauta foi o próximo a ser gravado, embora curto, deu um bom trabalho, quase vinte minutos para se gravar 16 segundos de solo! Embora eu não seja flautista, há 25 anos meu avô João Freira havia me dado as dicas do chaveamento das notas na flauta, eu ainda lembrava vagamente, o bastante para o que eu precisava.

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Gravei logo depois o solo de violino que, na música, bem antes do da flauta. Não é a primeira vez que executo violino em gravações, em 2007, quando gravei o “As cordas, eu e o nada”, havia violino em duas faixas. Mas agora foi mais difícil, acho que perdi a pegada, não passei breu no arco direito. Como violino não tem trastes, um milímetro de afastamento do ponto exato na escala e lá se ia a pista: regravar.

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As guitarras foram gravadas por último, uma pista de base e uma de solo. Usei a minha Gibson Les paul velha de guerra, 19 anos comigo, 12 das quais guardada – e nem as cordas enferrujaram e, pasme, não desafinou esse tempo todo, é por isso que Gibson e Gibson! Foi gravada direto na mesa, com a distorção e plug-in. Eu preferia tê-la gravado com caixa, mas não havia distorção (eu não levei a pedaleira!).

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Ali estava o material bruto, ainda seria cortado, editado, mixado, equalizado e masterizado. Mas só em ouvir o primeiro resultado bruto um sorriso automático me surgiu.

Não estava a vontade, pois afinal o horário era até as seis eu precisava correr. Foi o melhor que consegui naquele momento.

Escutando o resultado final…. gostei bastante!

Na festa, foi entregue de lembrança um kit com o CD de áudio da faixa (que você escutou no início do post), a letra e a partitura.

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