Era a diversão televisiva do fim de domingo entre 1980 e 1986. Após “Os Trapalhões” da Globo, não assistíamos Fantástico lá em casa, trocávamos o canal naquelas Sanyo transistorizadas, mudávamos para o SBT assistir ao “Show de Calouros”.

Silvio Santos iniciava o domingo com “Domingo no Parque”, lá pelas dez da manhã, passava pelo “Qual é a música”, uns outros programas de tarde (como o roletrando); no início da noite tinha o “Namoro na TV” e, lá pelas oito, entrava o “Show de Calouros”, que durava umas duas horas. O formato era inspirado no “The Gong Show”, programa estadunidense de Chuck Barris. Aliás, durante o show de calouros Silvio Mostrava skets do Gong Show.

Os jurados é que eram as verdadeiras estrelas do programa. Os calouros se apresentavam e levavam de mil a dez mil cruzeiros de cada jurado. 

Aracy de Almeida – a ranzinza – era a responsável por tocar a campainha caso algum calouro fosse muito ruim. Certa vez ouvi a um CD de um show dela, onde ela contou que era o próprio Silvio que reprovava os calouros, mas jogava a culpa para ela. “Dez pau!”

Pedro de Lara nunca gostava de nada, raramente dava valor alto para algum calouro (e sempre era para o calouro, nunca para o número apresentado, se ele gostasse do calouro, dava valor alto). E vez em quando saía na briga com Sérgio Mallandro. Aí depois começava a chorar de raiva quando ia falar.

Nelson Rubens era o fofoqueiro, sempre com novidade sobre alguém do próprio juri para dizer ao público.

Dércio Picininni era o engraçado centrado, sempre sério, mas quando apareciam as moças dançando de maiô ele perdia a linha, rasgava o papel e enfiava nas orelhas, hilário!

Sônia Lima (parecidíssima com a Edyranne, minha noiva) era a moça atraente do juri, durante os programas namorou, noivou e casou com Wagner Montes, o boa-pinta, protegido do Silvio e que saía em defesa de Sérgio Mallandro quando Pedro de Lara brigava com ele.

Essa é a Sonia Lima, não a Edy.
Essa é a Sonia Lima, não a Edy.

Antônio Bonzar era um radialista que pouco ficou no juri.

Flor era a virgem, só falava besteira e era a burrinha ingênua do programa.

Sérgio Mallandro era o palhação, vez em quando ficava em cima do balcão dos jurados, ele era a própria piada, não poupava nem a si próprio, muito menos o próprio Silvio.

shcl

Cenas antológicas:

– Em um dos programas, alguns calouros corriam direto e não paravam no microfone;

– Em um outro programa, cinco calouros direto, um após o outro, cantaram “Menina Veneno”;

– Havia um negro (ok, afrodescendente, arf…) gordão que sempre chorava quando cantava. Em um programa ele disse “Seu Sílvio, hoje vou cantar com dois pregos na mão! Me disseram que assim eu não choro!”. Chorou e ainda disse “Seu Silvio, o senhor não deixa eu cantar!”, e lá saía chorando, de novo.

Três quadros fixos do programa:

Ari Toledo todo domingo contava uma piada e os jurados davam as notas, digo, diziam quanto valia a piada – Ele usava uma “ficha” que, na verdade, era um papel amassado.

O outro quadro fixo era a entrevista de algum artista, até hoje lembro da melhor de todas: Dercy Gonçalves. Sônia Lima perguntou quantas plásticas ele havia feito, ela respondeu, “Isso é uma babaquice, um monte! E vou fazer mais, por que esse meu braço aqui (mostrou a pele) está uma bosta!”.

Um terceiro quadro fixo, surgido em 1982, era o “Incrível”, onde Silvio narrava algumas imagens de algo extraordinário e mandava o bordão “Isto é Incrível”!

Ah, terminando o Show de Calouros, eu assistia ao “Sessão Dupla” – geralmente um filme de terror ou aventura seguido de um de Jung Fu. E dormia, para iniciar a semana.

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