Dizem que todo blog que se preze que tenha uma seção “música” deve fazer uma resenha desse álbum do Pink Floyd. Bem, hoje é a minha vez. O post de hoje é o review dessa obra prima sob uma ótica talvez contrária ao que se normalmente lê sobre o disco.

Se quiser ler escutando o disco da resenha, ele está no youtube, aqui.

Essa é uma das três capas. Existe uma versão com o nome da banda e título; e uma outra com o fundo azul escuro.
Essa é uma das três capas. Existe uma versão com o nome da banda e título; e uma outra com o fundo azul escuro.

 

 

Desde criança ouvia meus primos mais velhos falando nesse disco nas rodas de festas de aniversário em família; no início da adolescência já era só curiosidade quanto a ele, ainda mais depois que li uma matéria de duas páginas da extinta revista Somtrês sobre ele.

Comprei a primeira edição em CD desse disco lançada no Brasil, em 1989, na Lojas Americanas (tinha uma sessão de CD muito legal lá!); depois comprei o CD remasterizado lançado em 1993, e a edição em áudio 5.1 lançado em 2003.

Na verdade existem “dois” discos “Dark Side of The Moon” (DSOTM) bem diferentes: o que se escuta música a música, e o que se escuta de forma contínua, como uma faixa apenas. E posso garantir que são duas impressões sensoriais bem diferentes uma da outra.

Qualquer um que se diga apreciador de música (seja de qual estilo for) pode até não gostar, mas não tem o direito desconhecer essa obra.

O disco dura menos de 45 minutos; tem dez faixas:

 

Speak to Me

Embora seja apenas formada de batimentos cardíacos, tem uma função clara: acalmar o ouvinte para o disco. Surge do nada, como que avisando ao expectador que será levado da vida real para a massa sônico-espacial que o espera; termina em um crescendo e com um grito que emenda à segunda faixa (que, na verdade é a primeira música). Em algumas edições do LP e CD, ela sequer é grafada como faixa autonoma, constando juntamente com “Breath” como primeira faixa.

 

Breathe

Diz ao ouvinte o andamento do disco. Em quase dois terços do disco o baterista Nick Mason mantém o andamento exato que gera nessa música. Já vai direto ao ponto (as quadras entram nas mesmas notas da introdução); como são bem simétricas aos ouvidos, consegue inteligentemente puxar o disco e fazer o ouvinte querer descobrir o resto do álbum.

 

On the Run

Essa música só faz sentido quando se escuta o álbum inteiro; ela, por ela mesma, não diz nada. Seu valor é contextualizar a banda, o momento e os recursos que existiam na época. Chamada no anedotário de “música do helicóptero”, não passa de um experimento maluco gravado. Soa bem diferente depois que se assiste ao vídeo “Live at Pompeii” da Banda, que mostra clips da produçãoo do álbum e tem como cena célebre o Roger Waters montando essa faixa.

 

Time

Música memorável, com todos os elementos de uma música perfeita. O seu início (os relógios soando) nos acorda, e aqueles quase dois minutos de tic-tac são incrivelmente hipnotizantes! Até hoje penso se aquele mix de octabans (tambores cônicos) e sintetizador saiu da composição ou foi milimetricamente planejado pelos produtores, porque causam um efeito ainda não explicado de torpor no ouvinte, de forma que quando entra a primeira quadra (a letra) o ouvinte já está dominado e entregue ao que a banda tocar. Essa música consegue ser pesada sem ser rápida, ter vocal agressivo sem agredir, e ter o solo que nos faz flutuar no tempo e espaço.

Lembro que quando a escutei pela primeira vez (e de novo e de novo etc), fiquei várias semanas com ela martelando na cabeça. Foi a música que me mostrou que não precisa tocar rápido para ser um exímio guitarrista.

 

The Great Gig in the Sky

Sei que vão tentar jogar pedra em mim, mas acho que essa faixa seria bem melhor sem a voz da Clare Tory. Antes que digam que eu sou doido, saibam que dentro da própria banda houve discussão sobre a validade da manutençãoo da trilha do vocal. Essa mísica só com o instrumental ficaria algo como a “Atom Heart Mother” (A primeira música do disco homônimo “da vaca”) – Experimente, querido Bloginterator, escutar essa música e tirar o vocal feminino mentalmente, era que o fundo daria uma belíssima peça!

Aliás, a cantora, ainda que tenha recebido pelo seu trabalho, depois processou a banda (e terminou o processo mediante acordo financeiro) pelo disco haver estourado em venda e ela (que já havia recebido pelo serviço), se sentiu sub-remunerada pelo que fez. Bem, no Brasil, isso jamais ocorreria, pois aqui se paga “direitos conexos” (uma parcela de direitos autorais) aos músicos participantes de todo fonograma (para entender melhor sobre isso – que se refere a direitos autorais sobre fonogramas – você terá que ler o último capítulo do meu livro “Direito Empresarial imprescindível!(Ed. ArkiUltra)).

Money

No vinil, abre o “Lado B” – É o que faz alguns dizerem que, tecnicamente, o DSOTM tem duas faixas apenas. No CD, nem a propósito, é a única música que inicia em silêncio absoluto, penso que fazendo o ouvinte imaginar o tempo mínimo que se levaria para trocar os lados do disco na vitrola.

Foi a música que mostrou a banda aos Estados Unidos, foi o single lançado lá pela Capitol. Atingiu  publico em cheio, elevando a banda ao estrelato. Um detalhe é que não davam muita importância à música para single, por ser longa e ter compasso composto. O resultado provou que estavam errados e o publico passou a ir ao show do Pink Floyd só para ouvir essa musica (como li no livro-biografia da banda, já resenhado AQUI)

 

Us and Them

Embora eu nunca tenha curtido “onda” de qualquer espécie, acho que essa música é o mais próximo de uma viagem que se pode conseguir de cara limpa.

Essa música abre a mente, tira estresse, relaxa e pode levar ao sono (se a intenção for essa!) – já a usei várias vezes para destravar a criatividade. Penso que esse efeito se dá mais pela batida contínua lenta-ritmada do que pelo instrumental nela contido. O phaser utilizado no coral (com mudança de fase em baixa oscilação) nos deixa curiosos com aquelas vozes não-naturais no backing vocal do refrão.

É, penso, a única música do Pink Floyd onde um saxofone não poderia ser substituído pela guitarra do Gilmour em um solo.

Em 1987, passou um especial do Pink Floyd na TV Manchete, e essa música foi sobreposta às imagens do acidente da Challenger (Ônibus Espacial estadunidense que explodiu logo depois do lançamento), ocorrido em 1986. A entrada do refrão coincidiu com o momento exato da explosão, causando dentre os que assistiram àquele programa uma catarse audiovisual que só aos que assistiram àquilo podem explicar.

No disco ela termina de forma inexplicavelmente abrupta, com um corte incorreto (não acredito que aquilo tenha sido intencional!)

 

Any Colour You Like

É a música que “não fede nem cheira” do álbum e que tem um sentido verdadeiro quando se escuta o álbum integralmente, pois acaba sendo um pós-apoteose da música anterior e avisa ao ouvinte que a sequência final do disco está chegando. Parece mais um grande improviso gravado, na minha opinião. O início tem a infeliz situação de cortar a música-êxtase do disco (a Us and Them), quase que assustando o ouvinte de primeira vez – penso que, na época do vinil, até se podia pensar inicialmente que a agulha pulou indevidamente de uma faixa para a outra, tamanha a quebra de espírito causada pela emeda “a machado” dessa música com a maviosidade anterior.

 

Brain Damage

Depois que se assiste ao “Live at Pompeii” e se escuta os solinhos que David Gilmour fazia na gravação (e que foram cortados na mixagem), fica impossível escutar a música sem os benditos solinhos – maldita ideia de cortá-los! Mas, sim, a música é belíssima!

Eu comparo a junção das duas últimas músicas (dessa com a “Eclipse”) ao medley do lado B do Abbey Road dos Beatles; tipo: fica claro que são música diferentes, unidas “a machado”, mas a união feita grosseiramente das finas, neste caso, acabou sendo estilística, passando a fazer parte da própria melodia.

 

Eclipse

A música é toda em “vai-vem”, em compasso binário – é claro que dava para ter um solo matador no meio e mais duas quadras de letras! – mas já está ótima como está; acho que é o único heavy metal sem ser gravada como tal. Sim, se você ouvir com cuidado, é algo pesadão que bem poderia ter 3 guitarras distorcidas matadoras; mas mesmo tendo a cama sonora clean, continua com o punch de peso. Tem cara de “resposta” ao que foi perguntado no disco inteiro (os conflitos internos do “eu bom” versus “eu mau”). E termina nos acalmando, com o mesmo coração batendo lá do início do disco.

O disco lançado com gravações não utilizadas no disco mostra que a frase era muito maior do que a frase final.

ds30

Curiosidades:

  •  Em material oficial da gravadora (EMI), consta o nome do disco COM e SEM o “The”
  • Tenho um livro específico sobre esse álbum e acabei de ler uma biografia da banca. Todos narram a briga do Gilmour com o Waters (que, aliás, começaram nesse disco): o Gilmour queria o som todo suave e aveludado, o Waters queria todo com ataque e seco (sabe que eu tenho muita curiosidade para saber como ele soaria assim?). A briga só se resolveu quando chamaram um produtor neutro, Alan Parson que, para azar do Waters, pendeu para a opinião do Gilmour – aliás, Alan Parson montou uma banda e seu disco seguiu a fórmula melódica e rítmica do DSPFT, seu maior sucesso é a música “Time”- a dele, não a da Pink Floyd).
  • Diz a biografia que esse foi o disco que, finalmente, fez a banda ganhar dinheiro com o que faziam.

 

comments (2)

  • O Pink deveria fazer isso, essa música deveria ter aquilo, seria melhor se tivesse… … ….
    putz
    o autor do texto poderia largar a crítica e ser produtor ou membro do Pink Floyd e colocar suas ideias lá, o som ficaria, com certeza, muito melhor.

    Pouco se aproveita do texto, a não ser que o som do Floyd seria melhor se… … … …

  • Marco Evangelista Reply

    Olá Leandro! Todo o produto colocado no mercado esta sujeito a críticas e opiniões daqueles que os compram, sei bem disso pelos meus livros à venda; e, acredite, isso não irrita autor algum. Se os próprios músicos tinham ideias diferentes sobre como deveria soar a obra, imagine quem as adquire.

comments (2)

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