Era mais um dos veneninhos que ingeríamos nos 80’s. Ainda existe, mas duvido que seja tão quimico e perigosamente artificial (e gostoso!) como era antigamente.

Eu comprava nos camelôs que ficavam na frente do Ida Nelson (na época chamávamos de “bancas”); na época em que não podíamos sair para comprar na calçada não havia problema: cada camelô tiunha o seu traficante, que pegava nosso dinheiro, ia na banca e levava o bombom para nós, ou às vezes já pegava os doces e passava por uma janelinha do portão mesmo.

Mas, voltando ao Dipn’lik, tinha 5 sabores antigamente, acho que era morango, uva, laranja, limão e cereja (havia algum outro?).

Um saquinho feito de plástico e um negócio meio aluminizado (acho que pegaram aquilo da espaçonave capturada em Roswell) precisava necessariamente ser rasgado com os dentes, se fosse tentar rasgar com os dedos, podia partir bem no meio.

Dentro havia um pirulito como metade de uma bola ovalada. Com um gosto meio neutro de caramelo, o artifício era que precisávamos passar aquilo no pozinho para ficar com o gosto que estava estampada na embalagem.

Esse pozinho, cuja fórmula deve ser tão bem guardada quanto a da Coca-Cola, reunia TRÊS gostos: Um açucar, que não era o gosto mais forte. Um gostinha azedo que sei lá do que é, lembrava outro veneninho da época: o “Tang”, e um pozinho bem fininho (sim, dava para ver que haviam partículas cinza-claro e algumas com corante) da cor da fruta do sabor, e que, “diz que” tinha o gosto da fruta da embalagem; é, tinha, mas era mais para um Ki-Suco sem o azedo e amargo.

O fato é que o “blend” formado pelo caramelo do pirulito+açúcar+azedinho+gosto da fruta formavam um novo gosto – esse indescritível (acho que foi desenvolvido nos laboratórios da NASA para ir direto ao hipotálado, viciar e nos fazer comprar mais um).

Custava algo que, hoje, seria uns R$ 2,50; lembro que era mais caro que um pirulito comum, mas mais barato que um Mentex; nossos pais ficavam chateados porque [iamos nos pegar e, ao sairmos do colégio, passávamos na “Banca” pra estourarmos o troco do lanche naquele entorpecente.

A música do comercial (que era com imagem de película telecinada) ecoa até hoje: “Mamãe o que é um pirulito/ É uma bala espetada no palito/ No seu tempo isso era pirulito, hoje em dia pirulito é Dipn’lik! / Então, o que é um Dipn’lik? / Dipn’lik é pirulito no saquinho!”

(Se você leu cantando, aceite: Você já está quase saindo da segunda idade…)

 

Ah, o açúcarzinho era uma iguaria à parte, pois era parte do ritual comer aquele açúcar todo que sobrava – uma nóia legal era deixa ele na língua pra ir adoçando até os dentes, show! (Acho que os dentistas da época pagavam para aqueles camelôs venderem esses negócios pra gente, um dia descubro…).

 

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