O fluxo circular de renda no showbizz nos 90’s, como eu percebo (isso é uma opinião e não uma constatação!), funcionava assim:

Os artistas mantinham-se visíveis, para que frossem contratados para shows, e para que vendessem LPs (até 1994) e CDs (em diante).

Os programas de TVs, exibindo “os artistas do momento angariavam telespectadores, com isso, atraíam anunciantes que, afinal, é quem mantinham (e mantém) o fluxo de caixa positivo de qualquer emissora;

As gravadoras pagavam verbas de exibição às emissoras. Veja, tomando os artistas como produto, não vejo e nunca vi nada de mal nisso, já que se estava remunerando um órgão de comunicação para anunciar um produto – voltando – as gravadoras pagavam algo (que nunca fiz nem ideia o quanto) para as emissoras, para exibirem seus artistas;

Alguns artistas também pagavam às emissoras – diretamente no Setor Comercial, ou sei lá por qual caminho – para manterem-se visíveis e, assim, angariarem contratos para shows e eventos.

A fórmula Rock já havia se esgotado ou, pelo grande número de bandas, faziam com que se diluísse os pagamentos, tornando cada um menor isoladamente; assim, uma gravadora preferia investir grande valor em UMA banda de Axé, por exemplo, do que investir aquele mesmo valor em cinco bandas de rock – seria diluir o dinheiro e aumentar o risco.

Em algum momento, a impressão que tínhamos é que o Gugu e Faustão apenas permutavam suas atrações entre 93 e 98, tamanha a semelhança e repetição destas nos dois programas.

É por isso que foi quase nulo o número de novas grandes bandas de rock no Brasil nos anos 90 (aliás, além dos Raimundos, qual?). A MPB então, só não morreu porque os seus figurões ainda apareciam aqui e ali em entrevistas (e não mais com novos hits).

Esse ciclo se fechou, nos anos 90, em torno do Sertanejo-Pagode-Axé e, em menor grau, no Forró – e é por isso que os anos 90 ficaram com essa cara.

A parte boa é que já por 1999 essa fórmula quadrirítmica (ou quadrigênero) começou a cansar, e o centro da mídia aos poucos encontraria a internet o que, tanto para o audiovisual quanto para a música, provocou a derrocada das gravadoras e atualmente, ao que tudo indica, começou a detonar as TVs, também.

Esse distanciamento do momento, só agora possível, nessa década de 2010, nos permite começar a entender aquilo.

Você, como explica a ascenção daqueles quatro gêneros nos anos 90?

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