Adquiri esse livro, escrito por Gillan Gaar, achando que encontraria os bastidores (making of) do especial “Elvis’68 comeback” e sua repercussão. O que encontrei foi uma obra que entregou o que prometeu quanto à minha primeira expectativa.

O livro trata em minúcias a produção do especial da NBC, que era chamdo simplesmente “Elvis” (só ganhando o nome “comeback” bem depois), devido ao seu efeito; Embora explicando como se deu a produção do especial, ditando quase minuto a minuto o ocorrido desde a concepção até a edição final das cenas, sentimos um anti-clímax pelo corte abrupto do texto justamente quando o especial foi exibido (em 27 de junho); o livro diz muito pouco sobre sua repercussão, deixando a impressão que quase nada impactou o fato; e qualquer conhecedor da biografia do Elvis saber que foi esse especial que o retirou do ostracismo em que estava naquele momento, já que, como se entregara ao cinema na década de 60, sua carreia musical ficou em segundo plano.

Podemos inferir, como explicação, que o livro seria destinado ao mercado estadunidense apenas, o que tornaria desnecessária explicação sobre a repercussão histórica do especial da NBC (algo como que a autora parta do pressuposto que o leitor sabe muito bem do que ela está escrevendo) – o que torna o livro mais indicado para os realmente aficionados em rock e em Elvis.

Como lemos no livro, em 1968 a carreira de Elvis estava “em modo de espera” (certamente no texto original devia ser “stand by”, mas na tradução ficou assim), seus discos vendiam pouco àquela época. A exibição do especial, que foi repetido algumas vezes, o colocou de volta no inconsciente coletivo da população estadunidense, e ele logo foi contratado por hotéis de Las Vegas para fazer temporadas de verão (40 shows por ano), e passou a fazer turnês na época restante. Esse é o ponto em que o livro foge do foco, embora de forma positiva: começa a tratar de toda a carreira de Elvis após 1968, até sua morte.

E ai lemos algumas curiosidades: A partir de 1974 a carreira de Elvis começou a declinar novamente, seu último sucesso comercial tinha ocorrido em 1972, com o single “Burning love”; Ao falecer, não se tinha ideia que ele utilizava excesso de medicamentos – foram encontrados 14 (catorze!) substâncias de medicamentos na corrente sanguínea de Elvis, na autópsia. Somente após sua morte, com a primeira biografia não autorizada (escrito por um grupo de assessores pessoais, os da “Máfia de Memphis), é que foi divulgado que Elvis era afeto às drogas em toneladas, e o pior é que todas eram receitadas! Pelo médico particular Dr. Nicopholus.

Elvis encheu o saco dos assessores de Nixos para conseguir uma credencial do destacamento da polícia anti-drogas dos Estados Unidos; é que Elvis colecionava armas e distintivos, e só faltava esse – o mais difícil. Tanto fez que conseguiu alguns minutos com o presidente Nixon, usando boa parte deles para falar mal dos Beatles. Engraçado que a autora conta que Nixon simplesmente não conhecia muito bem os Beatles (será que vivia em Marte?) e acabou nem entendendo bem o que Elvis tentava lhe transmitir.

Elvis nunca fez um show fora dos EUA, pois o seu empresário, Cel. Parker, era imigrante ilegal e, como não admitia que seu pupilo viajasse sem sua companhia, temia não mais conseguir entrar em solo estadunidense.

O patrimônio líquido de Elvis, no momento de sua morte, era de sete milhões de dólares – algo não tão grande quanto se imaginava. Na verdade, Lisa Marie Presley enfrentou um início de crise econômica por viver da herança de Elvis (segundo o livro) – seus dois aviões e muitos outros bens foram vendidos. Surgiu então a ideia que foi a salvação financeira do espólio: Abrir Graceland, a casa de Elvis em Memphis, à visitação pública. Resultado: Graceland se tornaria, e é até hoje, a segunda casa mais visitada dos Estados Unidos, só perdendo para a Casa Branca!

Ah, alguns vão lembrar: Esse especial passou no Brasil em 1988, em um domingo a tarde, na Rede Manchete.

O “problema” é que não descobri se o intuito do livro era focar a produção do especial de 68, se era focar a volta da carreira de Elvis ao topo causada por esse especial ou se é uma biografia de Elvis entre 67 e 77.

O que ficou claro para mim após ler o livro é que ocorreu com Elvis o mesmo que aqui aconteceu com Raul Seixas: enquanto vivo, era um cantor famoso, só se transformando em mito após sua morte.

 

Uma das cenas do especial “Elvis”, da NBC, exibido em 27 de junho de 1968

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