Dia desses li um artigo onde um jornalista de meia idade lembra que sua infância foi marcada pela cena da morte da mãe do Bambi. Indo pesquisar percebi que aquela cena realmente marcou aqueles que tinham entre 6 e 12 anos lá por 1972. Já assisti à cena no youtube; é triste, mas nada que realmente “marque uma geração”.

A infância dos que agora chegam perto dos 40 (a minha) não foi marcada por nenhum ápice dramático no cinema, o mais grave foi a partida do E.T., em 1982.

Mas o que faltou de drama à infância, sobrou na adolescência, para todos aqueles que assistiram “O último americano vigem”.  Nos 80´s passava de mão em mão em cópias piratas, depois começou a passar no SBT já lá pelos 90´s.

A cena final do “The Last American Virgin” é forte, marcou a todos nós daquela época, e quem a assiste nunca fica indiferente.

O baque foi tão forte que apagou do inconsciente coletivo o fato do filme ser uma comédia; é, uma comédia! Na verdade 90% do filme é risada pura. Enxertaram a história dramática no roteiro (que bem podia estar em um filme próprio) e pronto, foi o que bastou para as risadas durante o filme serem ofuscadas pelo choque do desfecho. Tudo regado à música “Just Once” cantada por James Ingram, de forma que quem escuta essa música lembra logo da cena, invariavelmente.

Gary se  apaixona por uma moça, seu amigo pegador está dando em cima dela, a engravida, ele a ajuda com uma a situação, vende muito do que tem para ajudá-la, faz o o impossível, se aproxima dela. Finalmente se achou com a mulher da sua vida. Ufa!

Ao final do filme, quando tudo está realmente bem, vem a porrada.

Todos nós nos transportamos para o filme, com um misto de tristeza e raiva.

Acima você pode ver a cena, não é tão marcante quando destacada do filme, só surgindo o que significou após você haver assistido toda a história até ela.

E, pior, é que mesmo sabendo que é um filme, nos incomodamos, talvez por saber que poderia ser ou poderia ter sido qualquer um de nós. Sim, ele talvez tenha vivido um pouco da nossa história, ou nos fazer lembrar de algo parecido – e talvez por isso aquele final nos inquietou tanto.

Pergunte a alguém que naqueles 80 assistiram a esse filme; lhe contarão, e você saberá do que estou falando.


comments (3)

  • Marcelo Augusto Reply

    Eu gosto tanto desse filme que, na falta do DVD pra comprar no mercado brasileiro, comprei a versão americana no site da amazon. Essa cena me fez ter ÓDIO de uma personagem (no caso, a mocinha “bandida”) pela primeira vez na vida.

  • Roberto Dias Alvares Reply

    Concordo com você. A cena final é chocante e me marcou a ponto de me revoltar. Só destaco que alem da musica do James Ingran, a que causava mais impacto nesse filme é “OH No” do Commodores, na época na linda voz de Leonel Richie. O filme passou de comedia a drama em uma cena, mas para mim que senti um pouco do que o personagem sentiu naquele filme fica a lição de que o importante não é como a história começa mas sim como ela termina e para ele a cena final foi o começo da história e o final é o fato de lá na frente de repente, quem sabe ter encontrado a verdadeira mulher da sua vida, como aconteceu comigo.

    • Marco Evangelista Reply

      “o importante não é como a história começa mas sim como ela termina” – Show isso! Dá até letra e um post! – Yesss!

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