Olhe para a rua em frente de onde mora: você vê alguém patinando? Em 1980 você veria!

Existem até hoje, mas foi naquele fim de 1979 que a moda explodiu, chegou ao auge em 1981 e em 1982 começou a declinar, se tornando só mais uma diversão desde lá.

Simplesmente em TODO bairro tinha alguém andando de patins. Se patinava na rua mesmo, quando passava menos carros (isso acontecia, ao contrário de hoje). Lembro bem da Rua Borba da Cachoeirinha e do Conjunto Tiradentes com patinadores, solitários ou em grupo.

Lojas Populares, Lobrás, Credilar e Moto Importadora devem ter feito um bom dinheiro vendendo esses negócios.

Eram basicamente de dois modelos: Os mais comuns e baratos era só a sola com rodinhas, que devia ser preso ao sapato. Faziam barulho quando circulavam, principalmente sobre o cimento. O outro modelo, bem mais caro, e vendido nas importadoras da marcílio Dias/Guilherme Moreira, era o de bota mesmo que, como o nome diz, era a botona com as rodas. Nesses, pesados,  as rodas eram feitas de um material que não faziam barulho ao circularem. Ah e nada desses “in line“; eram com duas rodas de cada lado do par, mesmo; o que significava que, se por acidente se abrisse demais a pernas, invariavelmente ou se caia de traseira ou lesionava os tendões da pelvis pela abertura involuntária. (Na foto do conjunto Patotinha, nesse post, veja os pés das duas atras, note que s pés estão meio curvados para dentro. Esse era o perigo!).

Não sei com alguém andava naquilo. Tentei umas três vezes mas meu tornozelo, joelho e cotovelo, depois de algumas carícias do chão, me ativaram o bom senso para parar. Meu irmão ganhou um par de patins no aniversário de 1982. nem eu nem ele conseguimos andar com aquela bomba.

Embora fosse uma atividade unissex, era mais praticado por mulheres, aliás, uma menina que não soubesse patinar naquela época era “out”. Convenhamos: é sexy aquele giro 360* que mulher faz quando está de patins, não é não?

Por “increça que parível“, a primeira leva dos patins não tinham freio! Sei lá como se fazia para frear aquilo (alguém sabe e pode postar aqui?), só depois é que chegaria um “modelo com freio”, que era aquele bloco de borracha rígida da frente. Modernamente, tem uns com freios traseiros tamém – impensável naquela época.

O “Play Center Amazonas” (sim! O Amazonas tinha Play Center! Um dia escrevo sobre) tinha uma pista bem no meio para os patinadores (nos moldes do Amazonas Shopping na primeira metade dos anos 90, com aqueles patins de gelo).  Aqueles patins de roda emitiam um barulho (um barulhão!) constante que rivalizava com o as caixas de som que tocavam “Grilo na cuca” de Dudu França. Era um barulho como esfregar dois blocos de cimento, só que contínuo.

O programa “Domingo no Parque”, do Silvio Santos, tinha umas secretárias de patins, assim como o do Chacrinha (ainda na Bandeirantes).

O grupo musical que embalava a onda dos patins era “A Patotinha” (produzidas por Carlos Imperial), com o hit (“Não empurre, não force”), uma versão brasileira do hit de discoteque “Don’t push it”.

Por algum motivo que eu nunca descobri, jamais vi gordo(a) patinando. Isso não é discriminação, é constatação! Alguém já viu?

As propagandas, até de cigarros, mostravam casais alegremente patinando. Aliás, virou ícone televisivo que mulher patinadora em comercial tinha que usar mini-saia. Boneca patinadora tinha pra todo gosto, De Suzy até uma Mônica patinadora apareceu.

Assim que os patins saíram de moda, lá por meio de 1982, a proxima mania já estava a espreita: O Bambolê. Mas isso eu escrevo em outro post.

comments (1)

  • Gordo patinando…??? EU!!!! 🙂

    Patinei muito – não na década de 1980, mas na década de 1990 – principalmente nos patins in-line. Fazia muito street e alguma coisa de half-pipe (mesmo gordinho 🙂

    Guardei meus patins Rollerblade até 2007… Hoje sinto falta de patinar. Era muito bom, e um excelente exercício.

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