Logo que eu formei em Direito (em 1997!) e estudei mais no primeiro ano de formado do que nos cinco de faculdade, por um momento achei que tinha sido tapeado… pois percebi que me explicaram na faculdade 10% ou menos da matéria que eu via nos livros.

Eu estava “meio certo”.

Estava certo quanto a só ter tido acesso, em sala de aula, a “10% ou menos da matéria”. É isso mesmo. Imagine: para focar só no direito civil, coleções inteiras existem sobre o conteúdo (leia-se “Maria Helena Diniz”, “Silvio Rodrigues”, “Orlando Gomes”etc) – como se pode explicar isso em 560 horas? (são sete “direitos civis” na faculdade). O mesmo ocorre com os outros ramos do direito. E, pior: em direito, o que hoje é, amanhã não é mais, e vice versa.

Bem, isso significa que, em questão de conhecimento, o seu diploma representa apenas um atestado de “início de corrida” e, pior, todos à sua volta, a começar pela sua família, acha que você já sabe tudo, e qualquer limitação que você demonstre pode ser o pé da decepção. Está com medo? Vai piorar…

Não se engane: seus professores não estão mais do seu lado para lhe segurar a mão, estão muito ocupados ensinando para os acadêmicos, como você já foi um dia. A quem consultar, então?

Faça como eu: consigna um mentor. Eu tive dois, e estão imortalizados no início do meu livro “Direito Civil sem estresse!” com um agradecimento, desde a primeira edição, de 2006: João Freire da Cunha Filho e Paulo Ferraz, advogados.

Para não dizerem que eu não deixei alguma dica prática, faça agora – eu disse AGORA – o seu corrículo Lattes, é uma base de dados usada tanto em meio acadêmico quanto por alguns escritórios para recrutar ou cruzar dados de admissão de profissionais, clique: http://lattes.br .

Passada a euforia da formatura, e embora você se sinta agora um Super-Homem (ou Mulher-Maravilha), pegue seu caderninho do primeiro período e vá lê-lo, leia um a um até o décimo período. Detone logo uns dois livros de cada disciplina, e aí você já pode dizer que saiu do “10% ou menos” do volume de matéria de cada área do direito… hã? Eu disse “área do direito”??? – Esqueça isso, na prática! Como está nos meus e em outros livros, a divisão entre direito civil/penal/constitucional é meramente didática, DIDÁTICA, entendeu? ou seja: só vale para se aprender, mas agora, que você vai praticar, não existe mais “ramo” de coisa alguma, o direito é um só, e você tem que saber TODOS OS RAMOS do Direito (ainda que atue em uma área apenas).

Bem, é isso. Parabéns pela formatura.

De alguma maneira, sua vida começa agora.


comments (1)

comments (1)

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>