Nos anos 80 havia 6 medos no nosso inconsciente coletivo aqui em Manaus:

O bairro da compensa – Se hoje a Zona Leste é a área mais violenta da cidade, nos anos 80 era a Compensa. Não sei se era real ou marcação, mas 3 de cada 5 crimes noticiados na cidade envolvia o nome da Compensa, ou o crime era lá, ou os bandidos fugiam para lá, ou eram presos por lá. O medo de ir lá era real. Até tinha uma paródia da Música do Fagner (“Revelação”), que dizia: “Quando a gente pensa/ em ir pra compensa/ tem que se armar/ de facão, terçado/ revólver engatilhado/ se quiser voltar…”

Os Russos – A guerra fria e o já combalido regime militar fizeram bem o dever de casa, e todos nós tínhamos medo do lado negro da força: O comunismo e os Russos. A mídia em volta deles foi tão bem feita que realmente conseguiram pintar os caras de pessoas “do mal”. É que como ainda havia a Cortina de Ferro, sabíamos pouco sobre a União Soviética, e o capitalismo sabia bem enquadrar os Russos como “os maus” e, pior: acreditávamos nisso.

A Bomba Atômica – Se falava em um tal de botãozinho vermelho, e que os EUA podiam explodir o mundo a qualquer momento, não se sabe se é pelos meios ou quantidade de propagação, mas realmente acreditávamos nisso, e toda vez que o presidente Ronald Reagan começava um conflito, ficávamos com medo que o mundo pudesse acabar, ainda mais que era coisa certa de que o mundo acabaria no ano 2000, ou seja: a terceira e última guerra mundial podia começar a qualquer momento…

Os marginais do momento – As TVs, Rádios e Jornais, acho, faziam um “pool” para noticiar o marginal do momento, de forma que sempre havia algum em especial que colocava medo em toda a cidade, e realmente os temíamos, eram eles: Dandão, Cabeção, Gato Maracajá e Sapeca.

O Chupa-Chupa – Embora pareça piada hoje, os que viveram, sabem: bem no início dos 80´s, aqui em Manaus, era corajoso quem andasse sozinho pelas madrugadas, essa nave espacial causou muito medo aqui, já escrevi um post inteiro sobre isso, aqui.

Índios – Pode parecer brincadeira, mas lá pelo fim dos anos 70 surgiu um medo que tribos indígenas invadissem nossas casas. Se falava que, se isso acontecesse, “devíamos logo ligar para a Funai”.