Li esse livro em dezembro do ano passado. É pra ser lido de uma vez! Aos músicos de plantão já digo que a obra não traz qualquer dado sobre as gravações, letras, dados técnicos, nada! É sobre a vida de Deus, digo, do Ozzy mesmo.

– O tom é de piada, exceto em uns três momentos. É o próprio livro lúdico, ou “literatura de viagem” como chamam modernamente;

– No livro inteiro ele se declara um alcoólatra  e usa isso como desculpa por muitas das loucuras que fez – e não se mostra incomodado ou disposto a se tratar em nenhuma página;

– Sobre o Sabbath conta algo estranho: não recebiam dinheiro, mas a gravadora lhes arranjava tudo o que pediam, tipo “preciso de um carro novo”, e a gravadora mandava entregar. Será que o Sabbath foi manipulado, então? Fiquei pensando…

– Ele conta que o Tommy Iommy era o paizão e irmão mais velho de todos; antes da banda, era ele que se metia nas brigas pra livrar o Ozzy de alguma encrenca; e fala bem dele o livro inteiro, mesmo depois do fim da banda;

– O episodio dele morder o morcego ele conta de forma direta como se realmente tivesse estado lá (diferente de outros episódios, como escrevo depois); o legal é que ele nem ele notou que mordeu um morcego de verdade atirado por alguém da plateia, seu staff é que notou o fato;

– Fala pouco do primeiro casamento, é como se a culpa por não ter dado certo tivesse sido dele; o tom é todo se desculpando no texto; ao menos foi o que me pareceu à leitura;

– O que ele fala de bom da esposa (Sharon) , fala de ruim do pai dela – parece nutrir um estranho ódio por ele, não deixando claro no livro o motivo, nos disse que é porque ele falava mal da própria filha para ele, mas acho que deve ter algo além, não dito;

 – Dois episódios marcantes ele conta como se fosse um terceiro assistindo e ficando sabendo do fato: A morte do Randy Rhoads (me contaram que isso e isso e isso…); e ter tentado esfaquear a esposa dele (“Acordei e me contaram que eu tentei fazer isso e isso…”). É uma forma inteligente de contar algo se eximindo de detalhar e confirmar a veracidade de tudo, e de quebra ainda se inocenta, no segundo caso;

– Aliás, essa morte do Randy finalmente foi contada como se deve, pois a cada revista líamos uma versão diferente – afinal o avião em que ele estava voava ou estava no hangar? Os dois! Eu explico: o avião fazia um voo rasante no aeroclube e bateu no próprio hangar! (Tipo o acidente da TAM em 2006).

– Fala muito de longe sobre seu envolvimento como réu no processo do cara que se suicidou, supostamente, ouvindo a música “suicide solution” – dando a entender que deixou tudo na mão de advogados e não se inteirou do caso;

– Não há uma linha sequer sobre seu disco “The ultimate sin” (1986). Ele ao menos fala da época do lançamento de cada disco, mas desse (que ele já declarou ter odiado a produção…) nem menção!

– Faz pouco das próprias desventuras e piada com os problemas que teve. Aliás, as legendas das fotos são um show à parte;

Bem, fica claro que a biografia está muito filtrada tanto na forma quanto no conteúdo (e qual autobiografia não é?)- tudo muito bem escrito, se foi ghostwriter ou ele mesmo, acho que nunca saberemos – mas é muito legal!


comments (1)

  • A biografia é tão empolgante quanto o tão aguardado álbum “13”? Depois de Never Say Die, último álbum com Ozzy no Sabbath, ter Ozzy e Geezer trabalhando juntos de novo é algo que te deixa na expectativa, entusiasmado. Tenho certeza que os fãs de Black Sabbath não vão se decepcionar!

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