Desde 2011 passo a aplicar nas turmas de algumas faculdade, uma espécie de testes na modalidade “dilema do prisioneiro”.

Explicando desde o início:

Sempre trabalhei com avaliação continuada.  Penso que aferir conhecimento só na prova é meio desonesto: o melhor aluno pode estar em um mau dia naquele momento, e lá tira um 4,0 pela condição emocional, e não pelo conhecimento.

Assim, desde 2004 utilizo testinhos: A qualquer aula aplico testes, que se somam para configurar crédito na prova ao aluno. Assim: Se no dia da prova o aluno houver obtido seis pontos com testinhos, ele precisará apenas quatro pontos na prova. Assim, se algum aluno zerar ou não fizer testinho, nada perde, só deixa de ganhar a facilidade, pois a prova continuará a valer dez para todos.

Teoricamente, tudo sempre funcionou bem quanto a isso.

OCORRE que, como em qualquer sala de aula, existem alunos descomprometidos; e começaram a surgir uma legião de (“jus vagalis” ?) que até iam para a faculdade, mas nem entravam na sala. Ao menos sinal de textinho, uma rede bem montada de informações imediatas fazia com que os espertos entrassem à sala; iam pra faculdade pra testinho, não pra aprender.

Uma vez que em faculdades particulares todos pagam mensalidade, não poderia eu, em cada início de teste, simplesmente impedir qualquer aluno de entrar.

Semestre após semestre eu sempre pensei em uma solução para isso.

Encontrei!  E se chama “Teste em Dilema do Prisioneiro”. Que funciona assim:

Um teste valerá “X”, mas valerá três vezes mais se, até a entrega do último, não surgir algum aluno requerendo fazer o referido teste. (por exemplo: um teste pode valer um ou três pontos)

Isso significa que:

  • Não é vantagem para aluno algum, ou para qualquer colega de turma, avisar qualquer a colega fora da sala sobre a ocorrência do teste;
  • Ao adentrar a sala e verificar que sua turma estão em teste, fazê-lo pode interessar ao aluno, mas se ele o fizer, aniquilará a vantagem da sua turma; ou seja, caso algum “esperto” descubra a ocorrência de teste, e adentrar a sala para realiza-lo, obteve a possibilidade de pontuar, mas eliminou a possibilidade da sua turma em pontuar três vezes mais;
  • O teste e tais condições duram até a entrega do último, assim, quanto mais rápido  a turma terminar o seu teste, melhor para toda a turma, pois elimina a possibilidade de algum colega se apresentar para fazer o teste, diminuindo sua vantagem e da turma.

Até agora apliquei essa modalidade de teste em duas turmas; em uma, adentrou um aluno que exigiu fazer o teste, acho que a turma ficou chateada com ele (mas não teve bullyng!), na outra, todos voaram pra terminar logo, ninguém adentrou  e o teste ficou valendo três.

Agora, só pra explicar o termo “Dilema do Prisioneiro”:

A expressão dilema do prisioneiro deriva de uma estória que era utilizada para ilustrá-la: Dois cúmplices são interrogados separadamente pela polícia. Apesar de serem considerados culpados de um crime grave (digamos, um latrocínio), a polícia não possui provas suficientes para indiciar qualquer dos dois. Têm, porém, provas para indiciá-los por um crime menor (porte de armas). As alternativas à disposição dos suspeitos A e B são: confessar, ou não confessar o crime mais grave. Separados, não podem comunicar-se. Os resultados de tal estratégia são os seguintes: se ambos confessarem , terão sentenças pesadas, mas redutíveis devido à confissão, às quais atribuiremos o valor (-5); se um deles confessar, testemunhando contra o cúmplice, este terá sua pena agravada (-10) e o informante será libertado (4- 10). Se nenhum confessar, ambos só poderão ser condenados pelo crime menor (-2), valores estes obviamente arbitrários, e cuja significação é apenas relativa, de uns aos outros.

(…)

Qual a conduta racional dos cúmplices? A pode pensar: “Se eu confessar, o pior que me pode acontecer é a pena de (-5), e o melhor a de (+10). Se não confessar, o pior é (-10) e o melhor (-2).” Como a situação de B é simétrica, ele pensará de modo idêntico e, como resultado destas estratégias max-min, ambos confessarão, com o resultado de (-5) para cada um.

Se pudessem se comunicar poderiam combinar entre si de modo a ninguém confessar, com o resultado de (-2) para cada um, o que melhoraria a posição de ambos em relação ao resultado anterior.

(In http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141995000100010)

 

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