No início dos anos 90 lançaram o Kaoma, uma banda de LAMBADA, o povo aderiu, esgotou os discos de vinil das lojas, e as gravadoras viram que isso era bom. Logo o mercado fonográfico, que até há pouco ainda tinha alguma diversificação, logo entrou na onde de segmentação única, que funcionava assim: escolhia-se UM gênero musical, e nele se investia até esgotá-lo (leia-se: inoculá-lo no inconsciente coletivo), passando ao próximo. Talvez acharam que gerasse mais resultado concentrar as energias em um ritmo, em proveito delas, gravadoras, do que em diversificação (em proveito de nós).

O resultado foi que rádio e tv passaram a massificar um única ritmo de cada vez.

Logo depois veio o SERTANEJO, tão massivamente tocado que fez pessoas como eu, que a princípio nada tinham contra o gênero, passar a odiá-lo de tanto que apenas isso se tocava. Até o programa “Viva a noite” do SBT, apresentado pelo Gugu Liberato e um dos programas-símbolo dos anos 80, mudou de nome, agora era “Sabadão Sertanejo”! E nas tarde de domingo, então! Faustão de um lado e o Gugu do outro (tinha um programa aos domingos também) era só sertanejo, só sertanejo, como um bate-estaca em nossas meniges.

Então, quando notaram que o público estava domesticado, enfiaram o AXÉ MUSIC goela abaixo e tímpano adentro. Tudo começou com aquela “Swing da cor” da Daniela Mercury, e o resto veio.

Nem um ano se passou, e a bola da vez era o PAGODE. Esse ritmo foi desnaturado, posto que sabíamos bem o que era o pagode mesmo, mas pegaram o samba, mudaram o ritmo, eletrificaram-no com samplers, colocaram vozes chorosas e coreografias, venderam isso como pagode e o mercado comprou; e, pior: da temática original do pagode malandro-morro, agora era qualquer coisa escrachada. E ainda misturaram com o Axé e vieram as aberrações de “Dancinha da garrafa” e “É o tchan!”. Meu… que década lixo!

Não acabou ainda. À essa altura os Vinis estavam deixando de existir (a última fábrica brasileira fechou em 1994), o CD apenas era vendido agora. Pegaram o FORRÓ, música nordestina respeitável, a cobriram com chantilly, voicetunes, arpegiators e coreografias glúteas: lançaram, o “Forró” como a música massificada. E Engolimos tudo aquilo.

A coisa foi tão feia que até bandas de rock dos anos 80 agora gravavam bandeando ou mesclando com os novos ritmos percussivos, e as novas bandas já nasciam com a influência nefasta.

Manaus tinha sua própria música massificada (junto com essas nacionais), era o BOI. Descobriram que se o povão gostasse, alguns ficariam ricos, então, da-lhe boi!

A diversidade voltaria nos anos 2000, não pela benevolência das gravadoras, mas pela derrocada delas, causada pela popularização do tráfico de músicas em MP3 pela internet – podemos dizer que a pirataria trouxe algo bom: o fim do domínio das majors, já pensou que outra porcaria poderiam estar nos impondo agora?

Termino dizendo que hoje, onde podemos escolher, gosto de todos os ritmos acima, já que os escuto por vontade, não preciso mais “aguentar” isso ai como no passado – e sim, houve alguma (alguma!) música boa nos 90´s, em outro post comento.


comments (1)

  • As gravadoras ainda tentam empurrar tendências e o povão até compra, mas realmente já dá pra fugir um pouco da imposição…

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