Um clássico de uma geração.

Foi publicado em 1979; continha textos e figuras da Disney (os “Escoteiros” eram os sobrinhos do pato Donald – Huguinho, Zezinho e Luizinho).

A propaganda estava em qualquer gibi da época, mesmo os não ligados à Disney. Era só recortar o cupom da página, preenchê-lo, colocar em envelope (alguns em algumas revistas não precisavam de envelope, o verso já era a face postal), e ficar na expectativa.

O reembolso postal (pagávamos assim que recebêssemos a encomenda, no Correio) fazia levar uns dois ou três meses até se ter em mãos o livro. Se podia pagar também com Vale Postal ou envio de cheque – era o que havia de meio mais ágil de pagamento, na época; foi vendido até meados de 1981, quando sumiu dos anúncios;

 

Qualquer menino entre 8 e 16 anos tinha, queria ter ou filava tal livro dos colegas para ler;

Meu irmão pediu e foi meu quem mais o leu; era nossa internet da época.

Tratava-se de um livro-enciclopédia-compêndio, tudo em um volume apenas. Era editado pela Abril. Instruía  entretinha e referenciava- tipo de obra rara hoje. Era destinado a crianças e adolescentes.

Ensinava, por exemplo, a fazer apito de papel, copo de papel (esse aprendi e usei várias vezes na vida), a fazer uns nós legais. Aprendi os primeiros lances do Xadrez com esse manual.

As técnicas para acampar estavam lá: “Fazer sempre um fogo ao lado da barraca para afastar animais”, e “cavar uma vala em volta da barraca para, se chover à noite, não alagar tudo”.

 

Devido à utilidade de muitas das matérias e a forma didática como eram escritas, isso transformava o livro em dois: Ao mesmo tempo que era de leitura sequencial-lúdica, era também de consulta;

O manual continha ainda jogos, passatempos, técnicas de comunicação (foi com ele que aprendi algo do Código Morse, que usaria nos anos 90 na prova de Radioamador Classe “A”; várias espécies de pássaros e árvores eram apresentados e explicados nas páginas iniciais do livro;

 

Lá por 1987 lançaram uma coleção que continha o teor do manual e mais um monte de coisas, expandidas, eram livros mensais, cheguei a comprar uns quatro, muito legais, depois parei (o primeiro vinha com a estante para montar). Não achei que teve a mesma graça, não sei se por eu já estar mais velho ao ler tais livros. Já até encontrei uma coleção dessa no mercado Livre, um dia compro pra resenhar aqui;

 

De técnicas para empinar papagaio a lista de patentes das Forças Armadas, um pouco de tudo encontrávamos no manual. Na pior das hipóteses, saíamos da ignorância ao lê-lo;

 

O conteúdo, de 576 páginas, era dividido em seções: Como você pode se comunicar, Comes e bebes, Cuide bem dos animais, Como se comunicar, Para situações de emergência, Curiosidades, Coisas da natureza, Viaje prevenido, Cuide bem de suas coisas, Mágicas e truques, É bom saber; e Jogos e passatempos.

 

Na parte final do livro se podia encontrar um diário para ser escrito, essa era a razão da existência da chave no livro;

 

 

Dia desses comprei essa raridade no Mercado Livre (pouco menos de 200 reais), e até agora, 33 anos depois, ainda é muito legal ler esse livro!

A impressão que fica é que como não tínhamos tanta informação e tão fácil quanto hoje, dávamos mais valor às que conseguíamos.

comments (2)

  • Meu irmão tinha e eu adorava! Muito legal e nostálgico seu artigo! Parabéns!

  • Meu pai foi chefe de escoteiro e não poderia deixar de ter este supermanual..aproveitei ele em toda minha infância, perguntei dele estes dias pro meu pai, mas ele não sabe onde foi parar, queria mostra-lo para minha filha

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