1985, o ano que terminou cedo demais; o melhor ano de nossas vidas! Iniciou com o Rock in Rio e terminou com a expectativa do Cometa Halley. Saíamos de regime militar (ditadura mesmo já havia terminado); Nova República, novo Brasil, nova esperança, um Civil na Presidência. Esse era o contexto.

  • Os adolescentes da época se reuniam às quatro da tarde na Faces in the Groove, uma danceteria em frente ao Posto 700 na Djalma Batista, a uns 300 metros da Danceteria Brilho; Só chamávamos de “Faces”.
  • A Faces funcionava domingo (para nós), mas gerava expectativa desde quinta, pois desde lá já começávamos a armar o domingo na Faces, quem encontraria quem em qual local da Faces e a que horas;
  • Nas segundas e terças era papo das notícias sobre o que havia acontecido no último domingo na Faces.
  • Nós, dos “80”, voltávamos dos balneários (Tarumã, Cetur e Ponte da Bolívia), às três começávamos a nos aprontar; roupas com cores fosforescentes, laranja, amarelo ouro, verde limão, quanto mais “cheguei”, melhor- No cabelo, NewWave, um gel comprado na Lobras que tinha um monte de brilhos, acredite, em 1985 quase todo mundo usava.
  • Nossos pais nos levavam à Faces (nada de ‘frescuras’ como cinto de segurança ou de não andar com o braço pra fora!);
  • Lá fora, no claro, já dava pra ver nas meninas muito do que a farda do colégio escondia; tudo bem que nas Feiras da Bondade e Expoagros da vida podíamos ver as moças fora do colégio, mas como iam (para tais aventos) com os pais, não iam tão ousadamente vestidas como iam pra Faces. Já valia nossa presença lá.
  • A fila já estava formada, era a sessão “Mingau”; tinha esse nome porque maiores de 18, teoricamente não entravam;
  • Tudo no prédio era preto. Por fora era preto, por dentro também. Um ante-sala, que dava para o salão principal, no chão mangueiras transparentes tinham luzes amarelas fixas; de um lado, o bar e os banheiros (sobre o bar, a cabine de som); noutro, um palco, que só vi ser utilizado duas vezes, na “Garota Faces” e em uma apresentação lá que nem lembro o que era; em uma das laterais um paredão; na outra lateral, uma área com estofados, pretos também, ao canto uma escada, para a área de estofados pretos do segundo andar. Objetivo? Levar alguma menina pra beijar lá (no colégio era perigoso, tinha inspetores!).
  • No centro, uma elevação de uns dez centímetros, que teoricamente era a pista de dança, teoricamente porque dançávamos em qualquer lugar de lá (menos nas áreas dos estafados pretos);
  • A primeira meia hora era música lenta. Se vi três casais dançando ali foi muito, a ideia (hoje percebo), era só agitar quando tivesse lotada (boa estratégia!);
  • O repertório era (ou parecia ser) o mesmo. Sempre o mesmo! Se eu não visse alguém na cabine de som, eu podia jurar (todos podíamos), que havia um toca-fitas de rolo todo domingo tocando exatamente a mesma fita;
  • “Hinos” da Faces – Nacionais: Loiras Geladas (RPM); Ciúme / Rebelde Sem Causa (Ultrage a Rigor); Eu sou boy / Tic Tic nervoso (Magazine); Você não soube me amar (Blitz); Lágrimas e chuva (Kid Abelha); No balanço das horas (Metrô); As 7 vampiras (Leo Jaime); Dr. Silvana e Cia (Dr. Silvana); Óculos (Paralamas do Sucesso) ___ “Hinos” da Faces – Internacionais: Tarzan Boy (Baltimora); Private Idaho, Monster (B 52’s); Dancing With Myself (Billy Idol); Girls Just Wanna Have Fun (Cindy Laupper); Maria Madalena (Sandra); Big in Japan (Alphaville); Rock me Amadeus (Falco)___ “Hinos” da Faces – Lentas (na abertura): lover why (Century); Forever Young (Alphaville); Still Loving you (Scorpions)
  • Parava do nada, por volta das nove da noite; o que aconteceu, aconteceu; se não, uma semana se passaria;
  • Só soube de uma única briga ali;
  • Na saída, ficávamos sentados em um banco de cimento; todos lado a lado; podíamos esperar em paz, não havia galera, nem violência iminente, não tínhamos medo; (sim, já houve época em que se podia viver sem medo em Manaus!)
  • Nos toca-fitas dos carros dos nossos pais (marca RoadStar, 🙂 ) tocava o hit do momento; Tetê Espíndola ‘Escrito nas estrelas’. 😮
  • Embora Trem da Alegria e Balão Mágico estivesse no topo na época, tais músicas jamais tocaram na Faces, afinal, tudo o que a gente NÃO queria “ser” ali era criança!
  • O pós-Faces de todo o domingo? Assistir Show de Calouros no SBT (seguido de Sessão das Dez!), ou o restinho do Fantástico!
  • Parei de frequentar a Faces ainda no fim de 1985 (ou início de 1986, não estou certo), não vi o fim da Faces;
  • Hoje o prédio ainda existe, estive lá nos anos 90 quando montaram um boliche no local, não mudara muito internamente; atualmente, há uma outra danceteria sendo lá construída; ainda bem, ao menos o local não se perde.

Com o fim da Faces, logo logo a danceteria do momento seria outra: Red Zone.

comments (6)

  • Marcelo Augusto Reply

    Acreditas que eu nunca fui na Faces?

  • Mansur Seffair Neto Reply

    Opa, Opa!
    Antes da “Red Zone”, no mesmo local (na Estrada da Ponta Negra), funcionou a “Weekend”, a qual marcou bastante também.
    Não se pode falar de anos 80, em relação a “danceterias” da época, sem falarmaos da “Starship”, um verdadeiro marco a ser eternamente lembrado!
    Mas a “Faces” foi: “A FACES”.
    A primeira balada a gente nunca esquece!
    Valeu.’.

  • Não tive a oportunidade de frequentar a Faces, porque nasci em 1987. Mas lembro que a mamãe passava o tal gel brilhoso no meu cabelo(rsrsrs). Que mico!!!

  • Se a Faces era o marco pra ‘pirralhada’ dos anos 80 rsrsrs. A matine da Mikonos era da turma dos anos 90. 😀

  • Cara, você me fez recordar de fatos já adormecidos. Frequentei muito a faces de 85 a 86. lembro que estudava em 86 no ASAMEC (Anglo Americano) e era o comentário da segunda-feira, FACES. Pena que perdi contato com todos daquela época! Abraços!

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