Hoje, em todo do País, houve manifestação contra a corrupção, o “Dia do Basta!”, evento iniciado ano passado. Dei uma pausa no fechamento da terceira edição do meu “Direito Civil sem estresse!”  e fui cumprir o ato de consciência cívica: participar da passeata, como fiz no início do ano, primeira edição do evento aqui em Manaus.

O evento foi organizado pelo nosso colega Oldeney Gandra, é apartidário (aliás, por sorte não apareceu candidato algum mesmo).

Na concentração

Às quatro da tarde iniciava a concentração, no Parque dos Bilhares. Poucas pessoas, bem diferente do ano passado, onde havia quase o triplo de participantes.

Cara de mau! Vamos mudar o país e é agora! \o/

Quatro e meia saímos em passeata. O trajeto estava claramente traçado: Passaríamos por debaixo da ponte, subiríamos para a Constantino Nery, onde iríamos até a esquina da Darcy Vargas, onde dobraríamos e adentraríamos à Djalma Batista, adiante, passando pela Avenida até o Parque dos Bilhares, onde terminaria a passeata.

Avante!

SERIA isso, mas… Estávamos entrando na Constantino Nery quando o carro do Governador e sua comitiva passaram ao lado da passeata, uma vaia ensurdecedora se formou – provavelmente ele estava a caminho do sambódromo, onde se realizaria, dali a pouco, o desfile de 7 de Setembro. Seguimos pela Constantino Nery. Os participantes gritavam palavras de ordem.

Oldeney Gandra, organizador do evento

“O povo escolheu, o povo decidiu, ou para a roubalheira ou paramos o Brasil!” – “O povo unido jamais será vencido!” (putz! Clichê esse!) – “Você aí parado, também já foi roubado!” – E por aí afora… Mas havia uma ´pedra no meio do caminho´; fui um dos primeiros a avistar, dali a uns duzentos metros havia muitas luzes vermelhas oscilantes. Não tive dúvidas: era uma barreira. A passeata não parou, chegou até à frente da barreira. Os cavalos da polícia já nos esperavam. Aliás, para uma coisa a Polícia Montada serve: sujar a cidade e fabricar adubo! O carro de som parou, os cavalos ficaram em ponto de ataque. Pelo jeito, eles pensavam que íamos até o sambódromo aprontar algum piquete no desfile. Alguns da passeata acharam que era reação do governador às vaias recebidas há pouco. Moradores do Conjunto dos Jornalistas e Tocantins foram para a rua e uniram-se ao grupo, mais para fotografar e gravar o evento do que para protestarem, eu acho rsrsrs. Diplomaticamente, fui até o comandante da tropa, o David também foi, inclusive levando a documentação protocolizada sobre a regularização do evento. O comandante (em letra minúscula porque não sei a sua patente, chamo de comandante pois estava no comando, mas podia ser um Sargento, um Tenente, ou algo) foi firme: “São as ordens: daqui não passa ninguém!”

Inicialmente, a barreira era formada só pela Cavalaria
Por falar em Cavalaria, convenhamos: Ao menos para algo ela serve…

Um grupo tentou avançar correndo, pela outra mão da Constantino Nery, no que alguns cavalos correram para bloquear. Pude notar o despreparo da tropa: um dos cavalos, simplesmente, refugou e subiu como que com medo, quase fazendo o cavaleiro se estatelar no chão. Três correntes de opinião se formaram na passeata: – Alguns decidiram sentar no chão e esperar a tropa sair de lá (a previsão era nova da noite!). E seguiríamos a marcha; – Outros achavam melhor simplesmente retornar pelo percurso seguido até então; – E outro grupo – pasme! – achava que devíamos enfrentar a tropa e irmos pra cima! De repente, surgiram dois carros da Ronda no Bairro e se prostraram frente à passeata, talvez já cientes do “preparo” da cavalaria, prontos para treinarem tiro ao alvo caso a passeata avançasse. Deviam estar com medo, pois uns cinco minutos depois chegava mais reforço: três motos da PM uniam-se ao bloqueio.

Logo depois, carros da polícia reforçavam o bloqueio

 

Dali a uns minutos, as motos da polícia (esq.) ajudavam no bloqueio

Alguns da passeata, mais exaltados, bradavam poucas e boas aos policiais, que se mantinham em alerta. O bom senso prevaleceu. Voltamos dali, mas não pelo mesmo percurso, pra não ficarmos sem dar a volta no quarteirão, entramos pela Maromba e saímos na Djalma Batista, fechando uma das mãos. As palavras de ordem e discursos se sucediam (ministrei uns dois). Terminamos a marcha no Parque dos Bilhares. O Hino Nacional foi entoado.

Nenhuma vida perdida, ou mancha de sangue no asfalto.

 

comments (2)

  • Tamoputojutocomacorrupção…. adorei isso …. parabéns aos cidadãos que se empenharam em demonstrar NOSSA indignação….já fiquei fã de vocês… Cristia Lima de Brasília…aqui também fizeram igual, não deixaram o carro de som andar no eixo monumental, cercaram tudo com cercas e tapumes…. nunca vi tantos policiais juntos, mas demos o nosso recado no grito mesmo… eles podem dizer que não, mas estamos incomodando, estamos tirando os caras da zona de conforto…. PARBÉNSSSS ….

  • A culpa dessa crise é de quem? do professor? do médico? do policial? do comerciante? do cidadão que paga seus impostos? NÃO é dos políticos corruptos, que faz com que o povo pareça ser corrupto, que condena crianças e adolescentes a pobreza, que cria doença para lucrar, que faz com que policiais não combata o crime, que aumenta imposto e faz com o cidadão sempre tenha o pior. Políticos que regimenta pessoas dando-lhes esmolas e fazendo acreditar na ilusão da facilidade ao invés de dar condições de serem alguém, que quando propõe alguma melhoria além de visar lucrar tenta fazer com que o povo ache que um favor e não obrigação desses políticos. Que corrompe Juízes e outras Autoridades, que corrompe outros políticos, que corrompe empresários, que corrompe outros corruptos, mas quando no plenário ou no palanque o discurso é o óbvio da honestidade, enchem a boca que apoiam e vão combater esse câncer que está enraizado na sociedade e por trás celebram seus discursos, convencidos que enganaram seus eleitores. Enquanto o povo não abrir seus olhos, acordarem de seu estado de dormência não adianta se escandalizar com tanta denúncias de corrupção, pois Deus olha seus filhos mas em contra partida pede que mereçam a graça. Então não idólatre partidos ou políticos mas cobrem que sejam realmente honesto e que haja punição, pois o povo segue o exemplo que vem de cima e só começa acreditar quando o exemplo for rígido e não um círculo de amigos.

comments (2)

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>