Quase todos em minha faixa de idade tiveram ou ouviram.

A propaganda passava na TV, nos intervalos da sessão da tarde e nos programas da manhã. Peguei os detalhes e pedi da minha mãe. Era primeira metade de 1982. Ela começou a comprar e trazer pra mim. Todo mês, na primeira semana, saía. Religiosamente o meu estava lá em cima da cama quando eu chegava do Ida Nelson.

Eram fascículos de histórias infantis com um disco encartado. As histórias, que duravam em média uns 15 minutos (era um disco dos compactos, com uns 7 minutos – “duas músicas de rádio” – de cada lado, por isso eu sei a duração!) – mas, à primeira audição, naquela época, pareciam histórias bem longas. Hoje me parecem bem curtas, seria a prova de que o tempo é relativo ou a idade me levou o poder da imersão? – O slogan da obra era “Leia, ouça, cante e represente”. Umas duas vezes gravei os discos em fita cassete e seguia escutando no walkman quando íamos para nosso balnerário ao lado da Ponte da Bolívia.

O primeiro fascículo era “Marinho marinheiro” – Muito legal!

Cada livrinho trazia a íntegra da história do disco, com as ilustrações. Fininhos, 18 páginas.

Ao final de cada história, havia um lance que nos ensinava a reproduzir, como teatro, a história do livrinho, legalzinho!

Na capa traseira, no encaixe do compacto, trazia ainda dicas de como cuidar dos discos, da coleção do toca-discos, boas maneiras, etc.

As histórias eram narradas e dramatizadas e, entre uma cena e outra, um cantor ou cantora da MPB (um por disco, já apresentado logo na capa do fascículo) cantava uma ou duas músicas cuja letra tivesse conexão com a história (eram trechos das gravações originais dos cantores, na verdade). Hoje percebo que só havia monstros sagrados da MPB lá: Nara Leão, Tom Zé, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa… isso pelo que consigo lembrar. Ou seja: estávamos sendo apresentados, sem saber, aos grandes. Era golpe de marketing ou sacada cultural mesmo? (the answer, my friend… is blowing in the Wind…) – Enfim, fomos cooptados por dois grandes forças: a história e música. Penso hoje o que a Abril Cultural não deve ter faturado com aquela obra. É importante lembrar que sequer computador tínhamos ainda! O máximo de experiência audiovisual era rádio, toca-discos, toca-fitas e tv. Só!

E dentre os escritores estava essa Maria Clara Machado, que hoje vejo como uma das autoras da Globo.

Os títulos eram por aí: “Sapo Vira Rei vira Sapo”, “Tião das Selvas”, “O Circo Cheio de Lua”, “Marte Invade a Terra”, “Filhote de Trem” (este último com Edu Lobo cantando a música ´Trenzinho do caipira´, letrada por ele na melodia de Villa Lobos, é mole, véio? E tudo isso era vendido em bancas para crianças, naquela época!)

Em algum momento no início de 1984 achei que já não era mais criança (lógico! 10 anos! Já era um adulto!) e pedi em alto e bom tom que minha mãe não mais comprasse aquele negócio infantil lá… assim foi. Era lá pelos 90 e poucos quando, em um das visitas à casa dos meus pais, encontrei uns fascículos da TABA, fui escutar uns daqueles discos (estavam perfeitos! Enquanto que uns CDs meus, que comprei nos 90´s estão oxidando de velhos….) e, surpresa! Ainda lembrava de tudo, até cantei as músicas junto!

Aqui se pode escutar os disquinhos.

Esse é um dos exemplares que encontrei perdido

 

 

Bem, como disse, minha coleção foi interrompida por minha própria culpa, acho que agora, quase 30 anos depois, busco alguma redenção escrevendo sobre a TABA aqui.

“Pior” é que, quando pesquiso sobre ela na internet, só leio que foi um grande marco na literatura infantil, que foi a melhor iniciativa infantil de uma editora, tals e tals, enfim, só coisas boas; bem, eu, e minha geração inteira, estivemos lá.

comments (2)

  • Alisson Brazil Reply

    Nossa!!! eu tinha isso, era bem pequeno mas lembro deles..

  • Caro, Marco. Não sei você, mas o símbolo educativo da minha época e de todos em minha volta foi o livro “Caminho Suave”.

    O alfabetizador de muitas crianças. Era gostoso demais aprender com aquele livro (ou cartilha, como minha mãe falava).

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