Desde 1991, quando prestei vestibular para direito na então UA que esse modelo de prova se tornou inesquecível para mim. Eu a tenho aplicado desde 2010.

Trata-se das provas em estilo “Somatório”, que funciona assim:

O examinando tem, a cada questão, um determinado número de assertivas (podendo ser de três a seis assertivas por questão; em nosso exemplo, serão quarto);

No início de cada assertiva, há um algarismo (por exemplo, 1, 2, 4 e 8);

Assim:

1 –  O Amazonas já pertenceu à província do Grão-Pará;

2 –  Quem nasce no Amazonas é Amazonense;

4 –  Florianópolis se encontra na Amazônia Legal;

8 –  Manaus está localizada na Região Norte do Brasil;

Sob as assertivas haverá um campo, um  pequeno retângulo, onde o examinando deverá escrever o resultado da soma dos algarismos das assertivas corretas. Assim, no exemplo acima, deverá escrever “11” no referido campo, já que as assertivas corretas são a primeira, segunda e última (de algarismos “1”, “2” e “8”, respectivamente) – Simples assim.

Embora o mecanismo da prova seja simples, é em tal simplicidade que se esconde a exigência superior a qualquer outro modelo de prova, pois:

  • Não basta conhecer bem uma parte do assunto, o examinando deverá estar bem estudado em TODO o assunto já que uma pequena porção de assunto não estudado arruinará sua possibilidade de, naquela questão, obter êxito.
  • Uma vez que se precisa exatamente um resultado correto em cada questão para acertá-la, tal prova exige quatro vezes (como no exemplo) mais concentração que as provas normais, posto que um “deslize” no julgamento de qualquer assertiva põe a perder os êxitos de julgamento das outras três assertivas;
  • Sim, sempre no primeiro contato com esse tipo de prova, a turma examinada se assusta, algumas vezes se revolta; mas, como costumo enfatizar em sala: não apenas ensino, também condiciono. E é bom que já fiquem prontos para modelos de provas inesperados e dos mais sádicos exigentes examinadores;
  • Na prova, eu não sou amigo, nem estou ali para ajudar o examinando. Ao contrário: sou o examinador, o que está testando o examinando ao limite do possível; sou um “inimigo” que ele terá que, com seu conhecimento, vencer;
  • Não, tal modelo de prova não mede conhecimento como, aliás, nenhuma outra mede; mas ao menos diminui em 36 vezes (se for de quatro assertivas) a possibilidade de acertos através de chutes.
  • Bom ou ruim, é o modelo que costumo aplicar nas primeiras avaliações institucionais e, surpreendentemente, tem o condão de filtrar logo no início os mais aplicados dos menos (note que não me refiro a inteligência ou capacidade, mas aplicação aos estudos!);
  • Uma vez que tal prova baseia-se em assertivas, basta mudar uma vírgula, trocar um “não” por um “sim” de uma prova para outra, para gerar um resultado totalmente diferente o que, em provas com quatro assertivas, podem gerar até, teoricamente, se cada prova tiver seis questões… 4X4X4X4X4X4= 4.096 (quatro mil e noventa e seis) modelos de prova diferentes! Embora, é claro, não costume variar, na prática, em sequer um por cento de tal número de modelos; mas já é um indicativo de que não compensa copiar o resultado de qualquer prova próxima.

Enfim, tal prova costuma ser amada ou odiada e, até agora (e já se vão dois anos desde que comecei a aplicá-la), tem sido elogiada pelos alunos mais interessados, o que me sinaliza que estou no caminho correto de avaliação.

 

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  • Olha, infelizmente honestidade não é o forte dos alunos diante dos professores, muito pelo medo de ser “marcado” mas posso te afirmar com convicção que o pessoal não é tão animado assim com esse sistema, aquela velha história de que não basta estudar tem que agradar o professor pra passar.

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