Essa foi umas das bombas imprestáveis dos anos 90. Eu tive um.

Era a novidade, um aparelho com imagem de vídeo cristalina! Ohhhh! Vamos lá ver essa parada!

Foi lançado em 1989. Chegou em Manaus em 1990.

Era a revolucionária forma de assistir vídeo em casa: o LDV (Laser Disc Video).

Eram discos laser do tamanho de discos de vinis, pesadíssimos, quase meio quilo! Espessura equivalente a de um celular, algo como meio centímetro.

Dois lados, cada um com até 50 minutos de vídeo. Na verdade havia três tamanhos, um menorzinho (o médio) tinha 25 minutos de cada lado – esses médios, aliás, existiam na cor prata e dourado. E existiam os pequenininhos, do tamanho de CDs, com 10 minutos de cada lado, esses últimos nunca vi nem pra vender…

Ou seja: o avô do DVD.

Tinha até envelope protetor dentro da capa, ou seja, evoluía em nada quanto ao uso, parecia um LP!

Não era nada prático: bem no meio do show/filme, simplesmente surgia uma tela azul: “End of side 1”, e tínhamos que trocar de lado. Como na época ainda existir discos de musica de vinil, estávamos acostumados a isso mesmo; nem foi considerado uma desvantagem desses discos.

A imagem era perfeito (tinha que ter vantagem, né?), o som também – Ouso dizer que até superior aos atuais DVDs (mais inferior aos blue-rays). O salto tecnológico do VHS para o LDV foi bem superior ao comparado da TV 3D aos lares hoje em dia.

Mas, imagine tal imagem em 1990. Era fantástico! Quase mágico.

Comprei meu aparelho de LDV Pioneer (só tinha dela, aqui em Manaus) na Bemol, eu acho (ou foi na Importadora Oliveira? Nem lembro mais…), no início de 1991. Financeiramente foi um péssimo negócio, pois os discos era caríssimos, algo hoje como uns R$ 120,00 cada um! Em poucas lojas: Amacom, Bemol, Thenny, Centro Eletrônico e, pelo que eu lembre… só! – Não havia fábrica no Brasil e artistas, portanto só gringos. Cheguei a ter uns do Tom Jobim, Gal Costa e Ivan Lins, mas de festivais internacionais.

A tocador era um trambolhão de quase sete quilos!

Uma coisa é certa: eram discos bonitões. Fui trocar uns com um colega uma vez no Camões (o pré-vestibular, lembra? Isso dá um post à parte um dia…) e ele foi tirar os discos das capinhas… a galera lá da sala veio ver o que era aquilo, realmente, um CD do tamanho de um LP era bem inusitado.

Bem, em fins de 1993 o LDV (era assim que nós e a mídia chamávamos, embora o nome oficial fosse CVD – Compact Disc Video – estranho porque, de compacto, não tinha nada.) já saía de moda, ficou inviável; as importadoras pararam de trazer discos, o mercado afunilava.

O último LDV que comprei foi o “Live & Loud”  do Ozzy, da “No more tour”, de 1993. Já havia rumores, desde àquela época de que em futuro próximo surgiria no mercado um “LDV”  do tamanho de um CD e com capacidade de até 4 horas de vídeo – que surgiria no mercado 6 anos depois, com o nome de “DVD”.

Resultado: ficamos com esses elefantes brancos em casa. Os discos servem pra nada, ao menos serviram pra eu tirar foto pra esse post rsrsrs 🙂  e o toca-CDV serve de enfeite ao meio ao aparelho de som antigo Sansui…

Ah, como não existia ainda TV HD, digital, plasma e etc, do que adiantava ter aquele primor de imagem gravada para assistir na TV com tubo de imagem?

Era um luxo inútil – não necessariamente para ricos, mas para musiófilos que, como eu, guardavam dinheiro para gastar nessas besteiras.

Já no fim dos anos 90 se ouvia falar que haveria “LDV do tamanho de CDs”, nem deu dois anos e o DVD enterrava os LDVs.


comments (3)

  • Carlos Alberto de Moraes Ramos Filho Reply

    Vou aguardar o post sobre o Camões!

  • E aí cara, tudo beleza?
    Não sei quando você postou essa matéria, nem sei se ainda administra esse blog, mas deixarei minha opinião.
    Infelizmente essa tecnologia, os Laserdisc, chegou no Brasil muito atrasada. E por ser uma tecnologia cara não vingou. Li que no Japão apenas 10% dos lares tinham um player Laserdisc em casa. Nos EUA anpenas 2%.
    Não quero julgar, mas acredito que você devia ser bem financeiramente para comprar um aparelho desses em 1990. Devia ser bem caro. Sabia que a atari lançou game em Laserdisc em 1993? e os gráficos não eram ruins (pelo o menos para a época. (era colorido e tal veja o video:https://www.youtube.com/watch?t=564&v=ncl4lGl2CZ4)… Mas era tão caro que não vingou.
    Se você ainda tiver o aparelho e o disco guarde com carinho pois é relíqua.

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