Gostaria de,quando eu era advogado, poder fingir tão bem quanto consigo hoje. chego à conclusão que alguma falsidade é necessária para a própria vida em sociedade.

Exercito isso ao menos umas duas vezes na semana. Eu explico:

– Costumo fazer testes intermediários entre as provas institucionais das faculdades em que ministro aula (exceto em uma, onde a política interna veda);

– Só que o meu mecanismo de pontuação é um pouco diferente: a prova vale dez. Os testes não são parte da prova, mas sim créditos de ponto nela.

– Assim: Se na prova o aluno já tiver 4 pontos de testinhos, fará apenas seis questões da prova (cada uma vale um) à sua escolha. Se o auno não fez ou zerou nos testinhos, fará a prova toda.

– A ideia é: se tem pontos de testinhos, fará tanto menos quesões de prova. Mas, se perdeu ou zerou em testes, não tem prejuízo, a oportunidade está toda lá, e ele pode até ser ainda o único dez da sala.

– Com isso, já não preciso ser procurado para segunda chamada de testinho, nem preciso saber se alguém vai viajar ou está doente ou trabalhando, simples.

– Os testes são de surpresa, já que tem questões na prova para substituí-lo, mesmo.

– Explico isso minuciosamente já na primeira semana de aula.

– Peço aos alunos que JAMAIS e perguntem se vai ou náo ter testinho, porque, simplesmente, não dá pra saber. São muitos fatores envolvidos: O assunto é interessante? comporta testinho? há o que ser raciocinado para geração de alguma resposta? Há tempo na aula para teste? O cronograma do plano de ensino permite que se faça teste se atrasar assuntos futuros? E clima para teste naquele momento, existe? – Enfim, são muitas variáveis, que só podem ser consideradas naquele minuto daquela aula naquele momento. Simplesmente não dá para planejar testinhos.

– O problema é que alguns (ainda bem que poucos!) alunos por desaviso ou por algum desvio cognitivo mental, simplesmente ainda me encontram e perguntam: “Professor, vai ter testinho hoje?”

– É nessa hora que descubro o quanto consigo ser diplomático e socialmente falso: minha sincera vontade é imputá-lo verbalmente umas cinco qualificações depreciativas (de abigobaldo pra cima), e direcioná-lo ao serviço médico da faculdade por suspeita de transtorno mental que deva estar acometendo a pobre criatura.

– Mas, ainda bem, sou bem treinado; apesar da pergunta idiota, emito um simpático sorriso, e apenas digo…

“Não sei, Doutor(a), depende do astral superior; quem sabe, né?” 🙂

 


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