Um brasileiro jamais saberá o que é blues, no máximo tocará com uma sonoridade quase perfeita, mas jamais será o blues.

É que o Blues está ligado ao sangue e à história estadunidense. Era a música que os negros africanos lá cantavam – sim, apenas cantavam, nunca tocavam – durante o trabalho. Os senhores de escravos estadunidenses não permitiam que os negros se divertissem, por isso suas músicas nasceram orais e com a terça bemolizada, a blue note, nota caraterística do blues.

Quando a batida encontrou o blues surgiria o rithm’n’blues.

O jazz nasceria a partir do blues,  assim como o rock.

Esse sentimento presente no blues se irradiou pelos músicos do lugar, e isso se mostra na forma de tocar e cantar o blues; por isso um estrangeiro não terá, jamais, o feeling do blues.

No Brasil a coisa funcionou diferente, os senhores de engenho permitiam que os negros se divertissem com suas músicas nativas; acreditavam que isso os acalmaria para dissuadi-los de rebeliões, nunca proibiram o candomblé  e outras tradições africanas.

É por isso que o negro brasileiro, ainda que tendo a mesma origem africana do negro estadunidense, desenvolveu a música mais pelo lado da batida do que pelo melódico. Assim se originaria o samba, o chorinho, a bossa-nova, sendo esses dois últimos já uma corruptela do samba, mesclado com componente melódico muito forte.

Um estrangeiro não terá, jamais, o swing do samba brasileiro. Isso fica claro quando algum gringo tenta cantar, dançar ou tocar samba; soa artificial.

É assim, também, que soa um brasileiro tentando tocar blues.

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  • Meu amigo, o candomblé e diversas outras culturas e práticas africanas foram por grande parte de nossa história proibidas no Brasil. Pesquise e verás. De resto, embora isso, interessante.

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