Em algum momento, no início de sua existência, o homem esteve ligado à Força Criadora; a separação ocorreu. Desde lá, o homem tenta se religar à Grande Força. Essa religação, em latim, ganhou o nome de religare, que entrou para a língua portuguesa com o nome de religião.

A palavra “religare” também tem um outro significado, pois também era o termo latino usado para congregar, unir. E, quando isso ocorre, surge a sinergia, que enuncia que a união de duas forças tem como resultante uma força maior que as duas isoladamente somadas. Assim, o aperfeiçoamento espiritual e dos costumes é desenvolvido de forma mais fácil através da união das pessoas, posto que se pode apoiar um ao outro em eventuais dificuldades.

Ocorre que, em uma sociedade, as crenças individuais ou de grupos não podem subverter o bem comum, o progresso contínuo, ou a livre possibilidade de pensamento e manifestação.

Para permitir que a sociedade pudesse seguir em frente e se desenvolver sem influência de essa ou aquela religião, surgiu a secularização (ou laicização), ou seja, a separação entre igreja e Estado.

Surgida na França, através do iluminismo, tem se espalhado em todos os confins do mundo, embora existam lugares, ainda, que não viram tal luz.

No caso do Brasil, nossa Constituição é clara em, embora tendo a palavra “Deus” em seu preâmbulo, enunciar que o Estado não intervirá contra a liberdade religiosa, no seu artigo quinto, inciso seis: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”

A proteção chega inclusive ao ponto de imunidade a impostos: Diz nossa Constituição Federal, em seu artigo 150: “ (…) é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:(…) VI – instituir impostos sobre: (…) b) templos de qualquer culto;”

A lógica é simples: Já que o Estado não interfere na religião (e nisso já faz sua parte!), a religião não deve interferir no Estado!

Assim como a Constituição determina que o Estado não interfira na convicção religiosa de quem quer que seja, igualmente, uma crença não pode intervir nos negócios do Estado. Por um motivo simples: Temos dezenas de religiões, quatro dominantes, assim, qualquer delas que determinar a ideologia do estado estará sendo ilegítima para com os demais cidadãos

Quem tiver sua crença precisa ser respeitado, e até protegido, quanto a isso, mas que guarde sua crença para si e seus correligionários, pois o Estado é Secular, livre, e assim a Maçonaria lutará para mantê-lo.

Só para efeito de comparação, vejamos o caso dos partidos políticos: aqui, sim, pode existir um dominante, fruto da manifesta maioria. Mas, em questão religiosa, não pode haver alguma dominante até porque, número por número, é o confucionismo a maior religião em número de praticantes no mundo, seguida pelo islamismo e outras.

Assim, a conclusão é simples: A secularização precisa ser estimulada e promovida, como instrumento de proteção de todos, inclusive das próprias religiões; caso contrário, teremos um futuro Estado Teocrático, o que viola qualquer liberdade duramente conquistada.

A Maçonaria busca o melhor de dois mundos: Proteger o exercício religioso de todos, impedindo que esta ou aquela religião capture o Estado pois, quando nenhuma religião se sobressai, todas são respeitadas.

Manter o Estado secular deve ser uma das metas de nossa Ordem.

Que assim seja!

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(Essa Peça de Arquitetura*, de minha autoria, foi apresentada em Loja**  no dia 29 de novembro de 2011)

* é como chamamos os trabalhos escritos por maçons, sobre temas de nossa seara;

** Grande Benemérita Loja Simbólica “Rio Solimões”



 

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