Ótima banda, show esplêndido, péssimo som.

Lá estava eu e a minha consorte, quase oito da noite, hora marcada para o show. Fila quilométrica, ia do teatro até o cinema; eu ainda não havia visto fila tão grande e já me mostrava que essa banda, que eu conheço só de “ouvir falar e ler” era, na verdade, venerada pelo público.

Notei que a fila só tinga gente boa pinta, de aparência jovial e agradável. -“É gospel!”, disse a consorte.

Já passava das oito da noite quando entramos, era uma fila para a plateia e uma fila para a pista. Não sei se foi um caso isolado, mas quando passamos, vi duas pessoas entrando para a plateia… na fila da pista (que estava vazia!). Acontece…

A estrutura do show me deixou curioso. Eu já havia visto shows com palco 360 graus, como o do U2 e dos Beatles, mas ainda não havia visto palco com,,, dois palcos laterais. É, isso mesmo: da um lado ficava a pista, com as pessoas em pé, e do outro a plateia, com as pessoas sentadas. O vocalista cantava para as duas plateias, os outros integrantes ficavam frente a frente um para os outros.

Eu estava na plateia, lá na fila do meião mas em um local mal escolhido (não havia lugar marcado): ao lado de uma das caixinhas de som da coluna lateral.

Show iniciado.

Som embolado. Quem conhecia as músicas as identificava perfeitamente, quem não, só escutava um emaranhado de instrumentos. Estava claro que pegaram a mesma saída que ía para o PA e jogaram na caixinha lateral, resultado, som misturado e, pior: alto. Lá do meio para o fim ficou menos pior, mas estava realmente ruim. O que não deveria acontecer, já que, por estar em teatro, o som devia estar melhor controlado – até pela competência dos músicos, achei um desperdício de talento entregarem à platéia aquele som terrível de uma performance tão exata.

A banda fez o seu melhor, e funcionou. Ficou claro para mim que tudo ali gira em torno de um dos integrantes, o Juninho Afran, tipo “ele É a banda” (mais ou menos como o Humberto Gessinger esteve para o Engenheiros do Hawai).

O pública cantava em uníssono as músicas, sinal que a banda é competente, longeva (30 anos) e carismática.

Eu fiquei sentado o tempo todo, como vários ao lado ficavam gravando vídeo no celular, bastava assistir pelas telinhas, acabaram me ficando como “telões particulares” do palco. A bateria e baterista da banda não apareciam, pois ficaram enterrados atrás das colunas de som do palco (isso pode ser visto na foto).

Lá pelo meio virou culto e ele teceu umas palavras ao público gospel, até oração teve – depois a som pesado cantou. Gospel curte rock, rapaz!

Duas horas, foi o tempo exato do show.

Lamentei não conhecer música alguma da banda. Vou escutar um dia, e ainda que e não venha gostar de Oficina G3, só a devoção que vi ali já a faz digna de respeito de qualquer crítico. A G3 não é só admirada, é amada.

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