Já inicio pelo fim: Ótimo filme; e recomendo veementemente que você o assista.

Quando adentrei à sala do cinema vi que o terço de lugares ocupados (o filme não emplacou, aparentemente) era por pessoas da minha idade, lá pela quarta década de vida; pelo jeito, foram tentar descobrir os bastidores daquela época, também, como eu.
O filme me fez voltar no tempo.
A ambientação de 1993 estava ótima. Lembro bem daquela ẽpoca, Alta Ralẽ bombando.Deixa claro o filme que o pai do Plano é Gustavo Franco, retrata Itamar como um velho estressado, FHC como um medroso pau-mandado. Como pouco pudemos escutar Itamar Franco falando em público na época, não tenho como aferir se ele era quilo do filme.
Quanto a FHC ele sempre me pareceu perdido quando falava. Certa feita mandou esquecermos o que ele havia dito nos próprios livros, por aí se tira o quão perdido nas próprias palavras ele era, o foi, naquela época; sim, já no momento próprio eu achava estranho FHC dizer muitas palavras sem fechar uma ideia de forma direta, estava claro que dizia o que mandavam ou o que preparavam.
Essa comunicação abobada fica explícita no filme, talvez exagerada para fins de dramatização, admitamos.
Algo que eu não entendi foi o excesso de cálculos que Franco tanto faia no filme, parecia uma cópia (inconsciente) das cenas de “John Nash – Uma Mente Brilhante) e, convenhamos, por mais maluco que seja o cara, ele fará cálculos em papel, softwares, mas não em paredes, vidros e lousas.

Rel Marchar foi o economista pai do sistema duas moedas em que o Real teria sido inspirado, e nem eu sabia aquilo!
Mui show a frase “A gente chega em Brasília cheio de ideias, e sai coma ideia de que tudo o que mudou somos nós.”

A HP-12 (calculadora ícone do mundo financeiro, a qual já postei AQUI) aparece em duas cenas, muito rapidamente
Adorei a frase “O momento em que o viralata ganha pedigree, isso é o Real”. – Yessss. Aliás, pude ver em uma crítica do Youtube um desdém da cena em que a equipe econômica caminha como se fosse Eliott Nesse os on intocáveis – Bem, acho modestamente que essa foi uma das melhores cenas do filme, e não gostar dela – aí sim – é ser atingido por síndrome de viralata – se os filmes gringos são ázes em auto-enaltecimento, por que não podemos fazer o mesmo, ou melhor?

Estava caro que FHC já vislumbrava possibiliades políticas com o Real. José Serra lá surgia se autoelogiando, aliás, dando sempre para trás, foi retratado como um cara realmente difícil, uma raposa política na pior acepção da palavra.

Também gostei da frase “O Futebol é o ópio do povo” – E só no filme notei algo que na época passou subliminarmente batido: aproveitaram a vitória do Brasil na Copa de 1994 para nos jogar o Plano. Convenhamos: golpe de mestre!

Ver um pilantra do PT (que me pareceu a personificação do partido) negociando apoio ao plano em troca de vênias políticas. Ficou patente que o PT sempre jogava contra, tendo ou não motivo, só por ser oposição (essa estratégia de polarização gratuita é um dos motes dos partidos vermelhos – um dia escrevo sobre isso).
Ver um FHC medroso querendo desistir do plano, foi ótimo.

Engraçado que o ponto fulcral, que foi o sucesso do plano, não teve o destaque que eu quera ter visto, a cena que mostra o excepcional resultado e euforia é bem morta. Mas só depois fui perceber que o “pós-plano” também era tema do filme, o que explicou a rapidez de como se retratou o sucesso do engenho.
Gostei de ver claro a guerra entre economia e política. Para manter um remédio, o preço é a impopularidade.

O próprio filme inicia a derrocada inicial da nova. Realmente, foi crise após crise naquele segundo a metade dos anos 90.

Mostrou a nomeação de Rubens Ricupero, mas omitiu sua saída, pelo desastroso diálogo captado na época por parabólicas; perguntem aos da época, um dia escrevo sobre.
Destaco uma subtrama do filme: a da mulher dele que, mesmo após tanto tempo, resolveu que “não aguentava mais”; sei bem o que é esse tipo de mulher, a que te apoia quando está tudo bem mas, quando tudo vai mal, saem, afinal, quando um navio afunda os primeiros a abandoná-lo são os ratos.
Gostaria de ver mais filmes assim – Um sobre o confisco da poupança no atrapalhado (des)governo Collor seria show!

Pontos finais:
1 – Digam o que for do Plano Real, mas quem viveu a hiperinflação dos anos 80, sabe BEM a solução que ele representou;
2 – Egoisticamente, graças ao Rea ter ficado 1 a 1 com o dólar por um bom tempo, comprei uma Guitarra Fender Stratocaster USA “baratinha”, na época rsrs

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