Estive na Saraiva passando os DVDs em vista quando passei pelo setor de revistas (eu nunca olho essa seção de lá pois revistas eu deixo para comprar na banca mesmo), foi quando olhei o “Almanaque Seleções – Abril de 2017”. Foi disparado o aviso mental que eu me prometera escrever sobre o Seleções a anos aqui no Blog.

A revista é muito legal, com muitas, muitas seções e todas elas bem curtas, sendo a típica “literatura de viagem” como se diz, algo de leitura absolutamente descompromissada. Se é para passar o tempo de forma agradável, que ao menos venha com alguma informação, ainda que nem seja essencial;

É uma publicação antiquíssima (a capa mesmo já estampa “75 anos”), talvez a mais antiga nas bancas (estou chutando, mas acho que estou certo). É algo da idade do Almanaque Biotônico Fontoura e coisa desse naipe;

Seleções entrou em nossa memória afetiva desde a infância; ao menos da minha geração, aliás, talvez a única geração que ainda foi marcada por revistas, já que a posterior já foi seduzida pela internet;

Suas táticas de vendas de assinaturas são absolutamente detestáveis, indicando vítimas vencedoras de concursos que jamais participaram e, para receberem o prêmio devem… bem… assina a revista;

A maior, melhor e mais marcante propaganda desa revista está em um dos episódios de Snoopy (Penauts), onde Charlie Brown, em uma das cenas em que havia ficado sozinho, pega uma das revistas e diz “Almanaque Seleções 1956….” (chutei o ano, mas era um antigo). Aquilo grudou na mente de quem assistiu ao episódio;

Apesar de sabermos que é um enlatado americano – e é! – soube sair da mera linguagem imperialista e assumir uma postura universal. Realmente, nota-se que consegue manter seu conteúdo equidistante de ideologias e crenças, sem se atrelar a isso ou aquilo – talvez isso explique a longevidade da publicação;

Penso que um outro motivo que fez com que a Seleções atravessasse gerações é o formato físico da publicação. Como é pequeno, cabia em qualquer bolsa, pasta ou em qualquer lugar que se pudesse jogar. Em épocas pré-internet ou tablet, se podia ter algo à mão sem o tamanho incômodo de revista noticiosa ou do peso do livro. Sei lá se pensaram isso quando da criação, mas emplacou mesmo.

A última vez em que li um desses almanaques (é que não li esse que acabei de comprar) foi há mais de 20 anos, quando fizemos u trabalho de português do grande Professor Vilela no Ida Nelson. Vejo hoje que, exceto quanto à revista estar com menos páginas do que na época, continua absolutamente com o mesmo teor e espírito. E espero que não mude.

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