Eu precisava ir. Ano passado foi o terceiro em 32 anos em que havia faltado. Fui . Lá estava eu, na 32* edição da “Barraca do Bixiga”.
Era quinze para as nove da noite quando cheguei lá, no estacionamento eu já percebia o quanto estava lotado,
aparentemente, nunca esteve. essa suspeita se confirmou quando adentrei ao SESI.
Ela estava instalada em quase todo vão do Clube, climatizada (teve ano, quando ainda era na Feira da Bondade, que não tinha ar condicionado lá).

A entrada estava tumultuada. Não havia fila organizada para comprar a cartela e para a entrada de quem já a havia comprado.
Surgiu uma moça vendendo cartelas na fila, achei que fosse cambista e não comprei.
Fui lá com o rapaz que vendia as cartelas, um altão, ele estava conversando com outro rapaz. – Pode me vender uma cartela?
– Espera aí, espera aí. E não vendeu, e continuava conversando com o rapaz lá e não vendeu a ninguém que estava à volta dele querendo comprar cartela.
Só tinha uma solução para entrar: fui até àquela moça que estava vendendo cartelas e…

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Ao entrar na cabine de vidro éramos recepcionados por uma senhor simpaticão:
– Para entrar aqui temos uma condição.
– Qual?
– Um sorriso!

Pronto. Esse era o clima, da Barraca do Bixiga mesmo, como sempre a a foi. Todos ali sabiam que não estava entrando em uma pizzaria, mas em um evento cujo cunho principal era ajudar a APAE, secundariamente experimentar a pizza de gosto único.
Estava lotado e não havia mesas disponíveis. O do microfone pedia a quem estava co mesas demais que cedessem mesas para os que não tinham. Eu fiquei de pé ao lado de uma mesa que, pensei, estavam de saída, mas não saíam. Tudo bem, eu já estava decidindo voltar amanhã, no segundo dia do evento, só que chegando mais cedo para pegar mesa.

Foi quando surgiram novas mesas, e um dos garçons-voluntários pegou uma dela, grudei nele e perguntei “-Essa tem dono?” – “Não”. Posso seguir você? Segui-o, ele montou a mesa. Eu estava instalado. A princípio estava chateado de ter ido sozinho mas, vendo a correria e incerteza quanto às mesas (não havia nada organizado sobre), fiquei aliviado de ter ido só.
Mas tudo ali era para a APAE, então ninguém lá estressava com nada, ao menos não que eu tivesse visto.
Fiquei olhando e volta e concluí que eu estava centro quanto ao que pensei no estacionamento: Estava lotado como nunca esteve. As pessoas estavam felizes.
As pessoas, a barraca, não. Não havia tanta música e tão alta como em edição anteriores.

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Pedi água e pizza de mussarela (só água, refrigerante ou chopp). Só homem com garçom voluntário. Umas senhoras ajudavam limpando o lugar (nada de machismo, só estou descrevendo). O garçom que me atendeu usava uma cartola do Aerosmith. Uns ex-alunos meus falaram comigo, aqui e ali algum me conhecia da TV.
Demora – muita demora – nada de problema, é um evento e não uma pizzaria, como eu disse, o que tornava o ambiente propício à reunião de amigos.
O animador (?) pediu para que ficássemos de pé, e que por dez segundos refletíssemos sobre o que queríamos e eta. Achei isso muito legal! )Ele não veio com orações ou coisas parecida, apenas disse “segundo sua crença”.Show!
Contou que a Barraca havia perdido duas pessoas importantes, um senhor, que sempre ajudava lavando os pratos, e um outro senhor, japonês, fundador da barraca. A Família dele estava toda lá, imagino o que não estavam sentindo, e levaram livro de condolência para os presentes assinarem (juro que não vi o livro quando eu saí, queria tê-lo assinado, mesmo!).

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Finalmente a pizza chegou. Vamos à ela. Estaria perfeita como em todos os anos (menos em 2014), ou estaria ruim como esteve em 2014? Mistééééério.
Sorriso assim que provei: estava gostosa sim! Yesss! O gosto da pizzza da Barraca do Bixiga, finalmente. E nesse ano notei algo que sempre esteve lá: não era o queijo único ou o azeite que conseguia deixar a pizza com o gosto único: era o molho também e… era só tomate mesmo. Isso mesmo! notei que não estava condimentado ou coisa parecida, era só tomate e ponto, acho que isso deixava tudo mais gostoso. Se um dia eu resolver ir para a cozinha, vou experimentar.

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A conta foi R$ 64,00, mas deixei 100, já que sabíamos para que era o evento.

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Saindo da pizza, mas ainda no SESI, fui à praça ocupar meu lugar no banco da reflexão, como faço há 33 anos (desde um ano antes da Barraca do Bixiga, quando a Feira da Bondade ainda não a tinha). Novamente fui fazer o balanço do ano que passou (na verdade dos últimos dois, já que ano passado não estive lá) e projetar sobre o que eu quero que aconteça quando eu estiver lá de novo, ano que vem.

 

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É bom saber que, apesar dos avanços dos shoppings, da correria e congestionamentos e dos problemas da cidade, eventos como esse continuam no inconsciente coletivo e fazendo parte da vida dos manauenses.

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