Enquanto escrevo esse diário escuto o “Kind Of Blue” do Miles Davis – um álbum clássico.
Vejo que eu estava certo quando eu disse que escutar o CD físico ainda é uma experiencia inesquecível, pois percebi nuances, principalmente no baixo acústico das músicas, que eu nucna havia percebido antes.

A aura dos anos 50 está no disco.

O início do CD é inconfundível – o riff da “So What” já é facilmente assimilável e, para os que já a conhecem, identíficável já no primeiro segundo, como aquele “Tããããn Dan” não fica marcado? Não sei como conseguiram isso, mas o som do prato de condução (ride) da baterial está límpido, cristalino e estalado, nem parece que foi gravado ha mais de 60 anos.

Cheguei atá a esse disco há uns anos, de tanto ler que era um disco básico de Jazz. Aqui e ali na internet estava alguma láurea ao “Kind of Blue”, devido a isso procurei pelos sites da vida, encontrei versões originais, remasterizadas, até uma ao vivo (posso dizer que a remasterizada, ao menos na versão MP3, saiu foi tirando um monte de fatias do espectro do som, visualmente, digo, audiamente.
Até o chiado parece ter captado e ter congelado o espectro físico do estúdio. A capa, igualmente clássica, nos passa a ideia da solidez da gravadora, Columbia – imponente – tipo como se ver aquele selo na capa já fosse indicação de que o material ali contido realmente é de qualidade.

A versão do CD que tenho aqui, comprada na Livraria Leitura, reproduziu extamente os detalhes da capa do LP original; resultado: as letrinhas ficaram tão pequenas no CD que é quase impossível ler sem franzirmos a testa.
O trompete está com o som visivelmente abafado mecanicamente, à exceção do início da sexta faixa.
A base é uma aula de “cozinha” (guitarra e baixo) e o piano, presente em algumas faixas, são absolutamente consistentes, se mantendo pulsantemente sólido enquanto o trompete viaja nas notas.

Aliás, na última faixa, podemos escutar um reverb (natural, eu acho) incrível, uma pan interessantíssima (o trompete em um momento está na caixa da direita, depois na esquerda), e um claro diferencial de dois nunances – suave e fortíssimo, parecendo que o trompetista mudou de instrumento em plena música.

É um disco antiestresse, acalma mesmo – as músicas, jazz, nao tem refrão, aliás, estão longe da estrutura da música pop, o que nos deixa sem saber o que ouviremos no próximo segundo, e isso nos faz manter curioso sobre a próxima frase da música; além de podermos escutar infinitas vezes as faixas sem que ela fique chata, já que é mais difícil memorizar a sequência melódica de cada música.
Isso, hoje óbvio, talvez não o fosse na época em que foi gravado, e por isso esse disco seja tão festejado.

Pedi pela Saraiva o livro sobre esse disco, ainda não chegou, e estou curioso para saber os bastidores dessa gravação.

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