Longe de querer uniformizar as músicas daquela década, alguns sons que escutamos podemos logo identificar como dos 80´s, ainda que jamais o tenhamos escutado antes (vale para pelo menos sete em cada dez músicas).

Basta que vejamos reunidas essas características:

Melodia que prende à primeira audição – Parece que, em tendo havido muito a produção fonográfica, se precisava pegar ouvinte já nos primeiros vinte segundos de música, sob pena daquela faixa jamais ser ouvida novamente. O som era quase como um jingle de rádio estendido, tinha que vender mesmo. Os vinis compactos decaíam de venda e aumentava a venda de LPs (os bolachões), e como era mais caros, as músicas precisavam se vender mais para fazerem o público estourar dinheiro com os discos. Isso fez com que o tema, o refrão ou a frase instrumental marcante fosse deslocada logo para o início da música, isso convencia logo o ouvinte que a faixa merecia ser ouvida.

Ritmo e tempo alegre – Isso nos ajuda a entender o excesso de cores da época (usávamos calça verde claro ou blusa amarelo limão sem qualquer constrangimento). Esse clima festivo foi instantaneamente transferido para as músicas da época, que até quando a letra era triste, a melodia não o era. Uma espécie de novo “verão do amor” (de São Francisco de 1967) voltava recalchutado e turbinado (e durando bem mais).

Duração Curta – Como eram escritas para serem consumidas (o mundo já conhecia a MTV) e nem tanto para serem degustadas auditivamente, as músicas era mais diretas, indo direto ao ao ponto. Uma vez que o rádio e a televisão se tornavam mais dinâmicos, as músicas precisaram se encurtar para caber. Resultado: três minutos, no máximo, estourando quatro.

Refrão Pegajoso – Como nos aos 70 o rock progressivo gerou uma quebra na estrutura do rock clássico, incluindo a retirada do refrão da sequencia melódica, nos 80´s surgiu a redescoberta do refrão, que era o centro da música nos anos 60, mas recrudescia mais fortemente ainda. Resultado: as músicas dessa década grudaram na mente principalmente por causa do refrão.

Teclados e Sintetizadores – Houve uma época naquela década em que se pensava até que guitarra seria um instrumento do passado, pois até as bandas de rock estavam tascando eletrônicos em tudo Até os rocks mesmo passavam a ter uma pase de teclado nos refrões, no mínimo.

Ah, mais uma característica (logo, são 6, e não cinco como no título, mas não quero mais mudá-lo): A estrutura pop da música era quase sempre a mesma, a saber, introdução ou entrada, quadra, pré-refrão, refrão, quadra, pré-refrão, refrão, passagem ou ponte e refrão final. Isso não muda em 90% das músicas típicas da época, sério!

Nossa banda Noiantes gravou uma composição minha onde eu incorporei o espírito daquela década, à exceção do arranjo ser atual, o espírito é descaradamente dos 80´s mesmo. A música chama-se “Muito Só”:

comments (1)

  • Raphaela de Oliveira Reply

    Muito boa, adoro ouvir suas músicas.

    muito melhor do que ouvir certas coisas que tocam nos dias de hoje supostamente chamadas de ” música ”

    Banda Noiantes , isso sim é música para os meus ouvidos.

    muito bom mesmo !

comments (1)

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