Minha geração tem visto alguns de seus conceitos se subverterem ultimamente.

Para os da minha época, “Funk” (note o “F” maiúsculo) é um gênero que, de origem desconhecida, se tornou popularizada mundialmente a partir do mestre James Brown, e aqui na terra brasilis arrebataria o público através de Tim Maia. Como estourou aqui mais ou menos na mesma época da disco music, foi difícil inicialmente separar o “disco” do “Funk”, tendo que dissesse à época que a “Disco” era o “Funk” com instrumentos eletrônicos – com teclados ao invés dos metais e do eletrorítmo ao invés da bateria acústica.

O “Funk” tem compasso binário – justamente a ausência se batida entre os dois tempos que gera o pulsado original do gênero; e a ênfase é tanto dirigida à batida (primeiramente) e à melodia (em número dois na importância), que a letra chega a nem ser tão importante, servindo às vezes apenas como uma onomatopeia (sim, lembro das aulas do Prof. Vilela!) complementando, com a musicalidade e métrica dos versos, a própria melodia. Aliás, acho impossível não pensar em Funk sem associar a cabelo black-power, costeleta e colarinho grande, aquilo bem 70´s.

Fosse o que fosse, a característica era clara: a batida, o swing, o pulsante.

Eis que nos últimos dez anos surge outra coisa, vinda do Rio, um outro som – nada contra ele – mas nascia órfão de nome, precisavam de um nome! E ao invés de criarem algum, ou adaptarem um existente… tascaram “Funk”. Não, aquilo não é Funk. Pode até se “funk”, mas não é “Funk”.

Eu já havia escrito aqui no blog, há uns dois anos, que eu me incomodava em se chamar aquele samba que estourou nos 90´s de “pagode”; era outra coisa, legal também, mas não era “Pagode”.

Mas, voltando ao “Funk”…

A Noiantes (banda em que toco) gravou um Funk, chama-se “Piração”. Composição minha de lá por volta de 1996, mas gravamos agora, 20 anos após ser composta. Coloquei os elementos que eu entendo ser original do “Funk” na gravação.

O que VOCÊ acha que é “Funk”, você gosta de “Funk”? É partidário (ih, palavra perigosa atualmente, essa “partidário”) da minha opinião de que o atualmente chamado “funk” não é o que originalmente é “Funk”?

fnkoqe

Ah, no link abaixo está a mesma gravação de nossa música “Piração”, mas no youtube, caso não goste da plataforma soundcloud:

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