Tudo muda, mas o que vemos diariamente esconde suas mudanças.

Como nos vemos todos os dias no espelho, fica difícil perceber nosso envelhecimento. Sabemos que estamos, mas não vemos de um dia para o outro; o choque surge quando comparamos o que está refletido com o que estava na foto – aliás, é assim com todos os que convivemos.
Já quando vemos alguém de tempos em tempos, percebemos claramente que a mesma mudou. Mais bonita, feia, gorda, magra, velha, recauchutada.

Mas aí também surge, de imediato, a reflexão: se alguém me conheceu há anos atrás e agora está MUITO diferente, é porque, muito provavelmente, EU também estou MUITO diferente, há que, ao menos pela lei das física, o tempo é igual para todos, então, seria uma completa imbecilidade achar que só o outro ficou “desgraçadamente velho e gordo” depois desses anos todos.

Assim, quando eu revejo alguém das antigas, fico logo pensando “será que estou parecendo muito detonado?”; e quando escuto “-Você não mudou nada!” fico logo pensando se não é apenas retórica simpática, ainda mais quando dito por quem “mudou muito”.

Tem uma música do Pink Floyd, Echoes, cuja letra diz “Eu vejo alguém refletido nos seus olhos, e esse alguém sou eu” – então, é bom por aí; o que me leva a me policiar quando julgo visualmente os efeitos do tempo sobre alguém que eu conheci, afinal, posso estar é ainda mais velho e decrépito do que ela.

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