Morte do John Lennon. Eu lembro bem.

Era o primeiro natal da nova década, tudo eletrônico. Zona Franca no auge, relógio de ponteiro só para os velhos puristas.

De repente, para onde se olhava na TV era um cabeludo cantando e um grupo em preto e branco. Devia estar acontecendo algo com aquele cabeludo lá, porque só dava ele.

Eu não dei atenção. Só no outro dia, lendo o jornal (aquele foi o ano da alfabetização no Ida Nelson) no outro dia estava lá a foto do cara. “Sei lá quem foi assassinado. ”

Durante uns quatro dias nas TVs aquilo ficou repercutindo, só então eu ouvi pela primeira vez o nome “John Lennon”. Clima de tristeza tão grande eu só veria de novo em 1982, quando o Brasil perdeu a copa da Espanha.

Só tocavam três músicas nas TVs e rádios: “Imagine”, “Stand By Me” e “I Want To Hold Your Hand”. Era a primeira vez eu escutara aquelas músicas, essa última eu não sabia porque tocava tanto, já que quem havia morrido era aquele Lennon.

Revista Manchete, Visão, Veja: só o cara.

Apareceu lá por casa em 1981 uma fita cassete bolando, perguntei do meu irmão que conjunto (ainda não se usava o nome “banda” para rock, “banda” naquela época era fanfarra, tipo de desfile cívico), ele me disse um nome lá. – É novo? – Não, já acabou.

No fim daquele ano, em uma festa na casa de uma tia minha, Zelinda, encontre meu primo Neto na sala de som da casa. Um disco daquela mesma banda estava lá em uma mesa.

– Que conjunto é esse aí?

– Beatles.

– Beatles?

– É. Tu sabe o nome dos integrantes dos Beatles?

– Não.

– John Lennon, Paul McCartney, Ringo Star e George Harrison.

“John Lennon” – Pensei, “era o cara que morreu ano passado. Ah! Agora estou ligando os pontos daquela música não sei o que hand, aquele grupo preto e branco e a morte do cara. Era ele lá!”

E assim em 1981 eu liguei John aos Beatles pela primeira vez, e comecei a desenrolar e conhecer toda a história.

E lá por 1983 que descobri algo óbvio: porque a morte de John marcou tanto naquele 1980, eram três motivos:

  • Definitivamente, acabou a possibilidade da volta dos Beatles;
  • A mensagem da paz havia sido silenciada também, de alguma forma, pois John estava ligado a isso na sua vida pós-Beatles; e
  • Toda uma geração tinha perdido alguém próximo. (Essa última premissa me foi confirmada mais de vinte anos depois, em 2006, por meu tio e padrinho João Freire, quando fomos ao Rio em janeiro daquele ano).

Foi esse o clima sombrio de luto naquele 8 de dezembro, que até um menino de seis, que só brincava de carrinho e Falcon, prcebeu.

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