Um dia vou descobrir porque gosto tanto desse disco. É o menos gostado, no geral, pelos não-iniciados em Beatlelogia.

Gosto dele por ser cru, ter sido gravado em um momento de extrema tensão. Foi gravado no início de 1969, mas só lançado em 70 – o que significa que formalmente é o último disco da banda, mas materialmente, não.

Contrariando Paul, os outros três Fab contrataram Phil Spector para produziro disco. ele foi chamado depois das gravações que, segundo ele, estava uma porcaria. Antes dele Paul havia pedido a Glyn Johns (produtor do The Who) para fazer a mixagem. Essa mixagem do Glyn, que foi apresentada em duas versões, pode ser ouvida pelos youtubes da vida e corroboram o que Phil dizia: a gravação estava bem ruim mesmo.

A ideia inicial da banda era fazer um disco chamado “get back” e mostraria a banda na sua origem, com som básico.Não gostaram do trabalho do Glyn e preferiram o trabalho do Phil, que Pul odiou, por ter colocado orquestra em algumas músicas.

Mas o trabalho ficou primoroso (basta escutar as fitas originais para se concluir que Phil fez milagre!

Eu só passei a gostar mais desse disco depois de ler algumas biografias da banda, já depois de 2010. Gosto das fotos e dos locais de gravação, a saber o estúdio de cinema Twickenham e o porão da Apple (bem, a “Get back” foi gravada no teto do prédio).

Agora comprei o CD na Saraiva (R$ 40,00) e, escutando o disco no carro, vejo que é algo próximo da perfeição, só perdendo pro Abbey Road.

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A “Two of Us” tem aquele vocal de Pul e John que não tínhamos desde aquela primeira fase da banda. A música “Dig It” foi cortada, Phil só usou um pedaço, uma vinheta. No filme mostra ela inteira, ou quase, e é bem legal, ao menos escutá-la por alguns segundos no CD nos remete à cena do filme. “Dig a Pony” é muito legal, acho que a música que mais gosto do disco,

A “Lei it Be”, escolhida para dar título ao disco, não é a melhor versão, quanto à gravação, na coletânea azul (1967-1970), tem uma melhor (aliás, aqui tem o erro clássico do piano do Paul, que depois, na versão “Naked”, foi consertada), assim como a “Across the Universe”, a versão do disco excluiu os backings vocals de uma moças, dentre as quais a brasileira Sra. Bravo.

“I, me, mine” do George, assim como a “For you blue” (essa com uma falhazinha clássica no vocal, que defasa no início da segunda quadra) mostra que George mostra pouco (encoberto pelos dos frontmans) mas, quando mostra, o faz tão bem quanto os dois juntos. “One After 909” mostra que a energia de roqueiros ainda estava lá (aliás, alguém sabe o que é a droga do “909”)?

“Maggie Mae” também é só uma vinheta e não sei porque está lá. A “The ong and Widing Road”, ainda lembro como se fosse hoje… a odiei quando a escutei lá por oitenta e poucos, suportei-a nos anos 90, e hoje já gosto mais ou menos, embora seja tão festejada pelos beatólatras.

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Segundo o filme, nas músicas com piano, John que gravou o baixo! E usou um Fender de 6 cordas, raríssimo. E teve a participação do tecladista Billy Preston (que depois lançaria discos pela Apple). A gravação na Apple foi usando uma mesa antiga emprestada pela EMI, porque um cara chamado Magic Mardas deu cano na banda, prometendo montar uma mesa de 16 canais, que nunca conseguiu concretizar.

Por essas peculiaridades, gosto muito do “Lei it Be”.

 

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