Era umas três e algo da tarde. Eu acabara de pagar a conta da cafeteira, no sexto andar.

Estava em pé a uns cinco metros da escada rolante.

Ouvi um grito, pareceu uma discussão. O grito ficou mais forte, todos olharam para a fonte dos gritos e já ficou claro que aquilo não era uma briga ou algo normal.

A discussão aumentou, na verdade, era apenas a voz de um homem gritando.

Tiro.

O barulho foi bem no centrão, no corredor – foi alto para nós ali perto, mas acho que o barulho se dispersou e se eu etsivesse a mais dez metros acho que não teria escutado.

Pessoas saíram correndo de perto, umas crianças estavam sendo puxadas pelo braço. Não havia gritos nem choros, apenas pessoas correndo – parecia até que tinham sido treinados para agir de forma rápida mas sem pânico.

Outras se atiraram no chão.

Na cafeteira em que eu estava, um dos que se atiraram (aliás, pela rapidez com que caiu no chão, o que pensei logo é que ele tinha sido atingido, não fosse logo depois ele ter protegido a cabeça com as mãos…) permaneceu deitado. Percebi logo que estava assustado, perdido, ou o tumulto ainda não terminará.

Pessoas continuavam correndo e as lojas fechavam as portas.

Só uns vinte segundos depois é que começaram os primeiros choros e sinal de medo compulsivo.

Eu fiquei parado, assistindo – assim que vi que o agito estava indo para a direção contrária à minha, resolvi não correr, fiquei olhando em volta, eu sabia que estava em um momento que seria noticiado logo depois, acho que o instinto jornalístico surgiu lá.

Perguntei do primeiro guarda que passou por mim, que disse que houve uma tentativa de assalto na Di Donna, o assaltante teria atirado pra cima e corrido para a saída, se evadindo.

Realmente as pessoas estavam aglomeradas na frente da joalheira. O tumulto havia terminado.

Uns cinco minutos depois as lojas começaram a abrir as portas.

Fui no carro pegar a mochila da ginástica e um segurança dizia a uma cliente que não houve nada e que nem sequer tiro havia tido.

Houve sim.

 

Na minha opinião, dentro do que ocorreu, houve o menos-pior desfecho possível – ainda bem que o(s) meliantes fugiram.

Se tivesse havido luta corporal, alguém podia ter sido baleado.

E, no tiro, bem podia ter tido uma vítima de bala perdida.

Tenho uma sugestão, que a implementaria se eu fosse administrador de shopping: assim como existe praça de alimentação, deveria haver “praça de joalheria”, com segurança diferenciada, simples assim.;

pnccccc

Consequencias imediatas:

Fui na Saraiva, lá pelas tantas um alarme tocou, desses que prendem o celular no mostruário, eu acho; toda loja ficou tensa. Ninguem quis demonstrar mas o estresse post-factum já estava instaurado.

Estou aqui no Manauara ainda (estou mergulhado em duas obras: iniciando o “Processo Civil tranquilão”  e terminando o “AluGuia – guia do aluguel”. Já estou em outra cafeteria, no mesmo andar. A tensão ainda está em volta, todos estão em alerta. sei que se houver qualquer barulho diferente por aqui o pânico volta.

Notei que todos ali, incluindo eu, tentávamos mostrar que estava tudo bem e que ninguém estava assustado e sabendo que poderia acontecer de novo a qualquer momento. Isso me mostrou, ainda que em microcosmo, como deve ser o estado de medo constante em que habitantes de países-alvo de terrorismo devem viver dia a dia.

É Manaus sendo Manaus.

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