Aqui e ali lemos algo sobre algum “gênio”. No que toca à música, gênio para mim é criar algo inédito ao ponto de chocar pela novidade – de sair da curva de normalidade do mundinho medíocre.

Algo que os gênios tem em comum é que possuem uma personalidade difícil, de convivência árida, ao menos é o que tenho lido ao longo de tantos livros de biografia que devoro. Sejam por viver no mundinho próprio ou por dar sentido às coisas de forma que só existe em suas cabeças, essas grandes lendas da criação entram para a história como grandes nomes – todos eles, sem exceção, possuem episódio envolvendo ou briga, ou discussão, ou comportamento inexplicável, ou silêncio recluso ou, simplesmente, extrema arrogância; tudo bem, entram no espaço do “permissivo” a que me referi em um post antigo.

A parte boa é que, ao escutarmos suas obras, ficamos perguntando “como esse cara fez isso?”, “Isso não é normal!”

Minha (ainda incompleta) lista de gênios:

João Gilberto – Naquele banquinho e com um violão conseguir colocar 90 acordes por segundo em uma música, e nela misturar samba com jazz – coisa pra maluco mesmo! Esse co=criador (para alguns, o precursor) da Bossa-Nova vive recluso em um apartamento, sem falar sequer com vizinhos, já virando uma lenda urbana sobre sua vida atual;

Raul Seixas – Misturar rock com baião e ainda dizer (e provar!) que as músicas de Little Richard e Luiz Gonzaga são bem parecidas? Só ele!
Brian Wilson – Ficou seis meses produzindo uma única música! A sensacional “Good Vibration” em 1967, escreveu as músicas do Pet Sounds (tudo do Beach Boys); atualmente estou assistindo à apresentação em DVD do seu disco conceitual “Lucky Old Sun”, uma suíte de uns 35 minutos initerrupta sobre o “Velho sol sortudo” (seja lá o que for isso!);

Ritchie Blackmore – Com um cérebro fabricante de riffs históricos de guitarra, vivia brigando com os companheiros de banda (depediu um monte e foi despedido pela própria banda!) e fazia os câmera-mans sofrerem nos shows, jogando água nos mesmos ou tentando quebrar as câmeras. Um amor de pessoa.

Pete Towshend – Criou “Tommy”, a primeira Ópera-Rock, sozinho, em um compartimento da casa dele. Ele criava a história, as músicas e as letras. Em um video do The Who que tenho, ele desce a lenha nos companheiros de banda, sinal que não era “gente fina” no que toca à convivência…

Yngwie Malmsteen – Fez algo que virou mania: usar escalas de música clássica no rock. Assim como uma horda de grandes guitarristas fritadores de escalas (leia-se “rapidíssimo”), tinha fama de pouco sociável. Lembro de um primo meu falando “Esses guitarristas que tocam escalas de clássicos se sentem uma casta à parte!”

Roger Waters – Amado por um, odiado por outros, respeitado por todos, transformou sua obsessão da perda do pai na segunda guerra em som, gerando músicas melancólicas ou explosivas no Pink Floyd. Brigou com a banda (até judicialmente); ninguém do Pink fala dele com carinho, certa vez expulsou o tecladista Rich Wright. Em carreia solo fez coisas que nem entendo às vezes, mas reconheço que são de outro mundo (como aquela ópera “ça-ira”)

John Lennon – Mudou mirabolantemente da água pro vinho durante os beatles, sendo de um cara alegre e extrovertido a um cara contido e rabugento, recusando-se a fazer shows ao vivo e a voltar aos palcos; na carreira solo ficou cinco anos afastado da mídia, grudou na Yoko a ponto de tornar ela sua vida e esquecendo todo o resto.

Sérgio e Arnaldo (dos Mutantes) – Faziam aqui um som que até hoje é reverenciado pelo mundo inteiro. Seja na forma ou nas letras – algo além da mentalidade humana; e parece que nem eles tem consciência disso.

Ah, tem um que não vejo genialidade alguma, até porque nem escutei direito, mas todos os chamam de “gênio”: Prince.

gnni

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