Três maneiras haviam de circulação de informações escritas há trinta anos: livro, revista e jornal. O Jornal era a informação mais quente, imediata, mas não tinha qualquer profundidade, o consumo rápido das notícias era proporcional ao entretenimento do meio: quase nenhum.
Os livros eram coisas pra estudo, com algo denso e produção muito lenta – era quase uma informação consolidada.

Nos restava, como meio menos rápido que o jornal mas muito mais rápido que o livro, com alguma profundidade sobre o que nos interessava, a revista.
Assim, as bancas eram a nossa “internet” nos anos 80.
Nossa única limitação de compras quando chegávamos em uma banca era o quanto tínhamos pra gastar. Todo sábado, onde eu e meu irmão saíamos com meu pai, sempre enchíamos o saco para parar em alguma banca, estourávamos ali algo que – hoje, calculo, não sei se ao certo – entre 50 e 100 paus em revistas.
Naquela época, além de gibis, o lance era Bizz, Somtrês, revistinhas de cifras para violão, uns pôsteres sobre bandas de rock. Lembro que os gibis que eu mais gostava, além da Mõnica, Disney e Trapalhões, era qualquer um que viesse alguma coisa grátis (ou, como hoje sabemos, “grátis”).

Algo que sempre comprávamos era algum fascíulo de alguma coisa, mormente o número um de algum lanãmento. É que todo número um vinha em uma embalagem grande para chamar a atenção na banca, então sempre nos empolgava; raramente continuávamos alguma coleção.
Em Manaus, as maiores bancas eram: A da praça de São Sebastião, a da Getúlio Vargas com 7 de Setembro (a maior, no centro, mas não tinha onde parar carro nem perto) e a melhor de todas: A do aeroporto, era tão grande que parecia uma loja de revistas mesmo, entrávamos e andávamos por entre a papelada.

De acordo com nossa idade, íamos mudando de lugar dentro da banca, desde os inocentes gibis, para as revistas pré-adolescentes, as de esportes, de música, até as revistas adultas.
Aqui faço menção honrosa a banca que ficava na Rua Recife, esqeuina com a praça da igreja, na frente do Oásis (sorveteria) – lá conseguiamos comprar revista de mulépelada sem que uma pergunta nos fosse feitas, a começar pela nossa idade.

Podíamos ficar quase uma hora ali só olhando aquelas capas das revistas.

Aí chegou 1995, uma tal de “Internet” chegava, e logo podíamos encontrar quase qualquer informação sobre qualquer coisa, e pouco e gradualmente as revistas foram passando a fazer menos parte de nossas vidas.

Dia desses eu estava procurando sites que tivessem revistas escaneadas, notei que, como as revistas eram bem mais trabalhosas paa serem elabordas, transportadas, adquiridas e lidas, contém informações muito melhores do que o que encontramos aqui na internet, onde a produção e consumo é muito mais imediato e fácil. Ainda compro algumas revistas, e noto que, ao menos ainda por enquanto, continua assim.

acnab

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  • Caro, Marco.

    Passei boa parte da minha infância e pré-adolescência em bancas de revistas. A primeira banca que passei a frequentar lá pelos 4 ou 5 anos de idade, foi uma que havia em frente ao Supermercados C.O. na Raiz, av. Tefé.

    Não sei se você conhece a mídia chamada Podcast, mas neste teve um episódio inteiro dedicado a este saudoso universo das bancas de revista: http://spamcast.com.br/2014/04/spamcast-008-desbancando-bancas/

    Inclusive, vou reproduzir aqui parte de um comentário que fiz na página do post:

    “Na fábrica onde meu pai trabalhava, havia uma banca. E ele
    trazia todo mês dois ou três exemplares. Todas as edições que ganhei ou comprei
    estão hoje em poder do meu irmão, muito bem guardadas.

    Enquanto outras crianças da minha idade enchiam o saco da
    mãe pedindo doces ou brinquedos, eu pedia gibis. Era uma tensão, pelo menos pra
    minha mãe, quando passávamos em frente a uma banca.

    Comprei gibis até a adolescência, depois disso comprei esporadicamente
    somente aquelas edições que vinham com mais páginas. No caso da turma da Mônica
    a “Coleção Um Tema Só” e da Disney, a “Disney Especial/Superspecial”.

    Voltei a comprar a um certo tempo, nos sebos edições mais
    antigas. De vez em quando entro em um pra ver se acho uma preciosidade. Falando
    nisso, foi num sebo, há 6 anos, que comprei só pelo prazer da vitória, um
    exemplar da Mônica 30 anos. Lembro que na época, era muito caro. O fator
    inflação perfeitamente explicado no cast, foi um grande influenciador. Foi uma
    derrota não poder ter aquele exemplar.

    Até que um dia, em um sebo aqui de Maringá, eu vi brilhando,
    olhando pra mim. Não paguei caro. Desfrutei cada página daquele gibizão por um
    mês. Depois, despachei pelo correio para o meu irmão em Manaus onde ela está
    muito bem guardada.

    Em meados de 96 e 97, apaixonado por futebol, passei a
    adquirir a Revista Placar. Mas os gibis sempre foram os meus
    preferidos.

    Pra encerrar esse longo depoimento, reforço a informação de
    gibis de personagens da TV e da música que eram mesmo uma febre tanto da
    editora Globo, quando da Abril. Além dos que vocês citaram, como o do Faustão
    (eu tive um exemplar), lembro do Leandro e Leonardo, Sergio Malandro, Chaves e
    Chapolin, Gugu, Fofão…”

    Fica a minha indicação, para que você ouça este episódio.

    Abraço.

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