Se existe algo curioso é a unanimidade de opinião existente quanto aos que assistiram ao programa “Perdidos na Noite” da Bandeirantes: sempre dizem que foi o melhor programa a que assistiram.

E foi mesmo.

Era um programa que passava (ao menos em Manaus) nas noites de sábado. Comandado por Fausto Silva.

Com um palco absolutamente realista, se podia ver cabos, amplificadores, pedais. O programa tinha o estilo assumidamente “precário” mesmo, o que eu não sei – aliás, não se sabe – e se era por causa da precariedade de produção mesmo, e resolveram incorporar aquilo ao programa por não ter outro jeito de disfarçar, ou se era puramente o estilo escolhido para o formato. Lembro até que um dia surgiu umas linhas tremendo no meio da imagem do televisor, e eu não sabia se era problema do receptor ou era da geração na câmera, de tão certos que éramos que qualquer bomba poderia aparecer ali.

As atrações musicais tocavam ao vivo, sem qualquer playback ou frescura, podíamos escutar até afinarem guitarra, errarem e desafinarem na cara da câmera. Mas algo era realmente BOM: a qualidade do audio! E estávamos em uma época em que os televisores só tinham uma caixinha de som, e sei lá como os caras da Bandeirantes conseguiam equalizar e mixar o som de tal forma que se podia ouvir claramente os instrumentos do palco (até o baixo!).

O Fausto tinha um humor caústico meio grosseiro, mas que estava em consonância com o aspecto um pouco “trash” daquele palco. O ritmo acelerado do programa nos dava a certeza que nunca ficaria chato. Todas as bandas de rock que explodiram nos 80´s passarem por lá, ou quase todas. (Aqui está uma delas, CLIQUE)

Havia uns humoristas. Nelson Tatá Alexandre e Carlos Roberto Escova. – era humor direto que não poupava ninguém, em “politicamente incorreto”, os programas atuais parecem parques de bebê perto do que eles aprontavam.

A abertura, hilária, trazia a música “Tarzan Boy”, de Balrimora, e o Fausto assobiando em um microfone em um estúdio detonando o ouvido do operador de som.

Eu não sei se o programa era o vivo ou gravado – passava simultaneamente ao “Viva a Noite” do SBT, comandado pelo Gugu.

Terminando o Perdidos na Noite, voltávamos ao SBT e assistíamos ao “Comando da Madrugada”, com Goulart de Andrade.

Alguns “filhos” do “Perdidos na Noite” mas que não conseguiram chegar aos seus pés são o “Programa Livre”, de Serginho Groissman, e alguns minutos do próprio “Domingão do Faustão” quando traz algumas atrações ao vivo. Essas novas “meio-cópias” do “Perdidos” peca em querer deixar a coisa bonitinha: cenário, público, palco arrumadinho, sem aparecer a quinquilharia da banda e dos músicos, coisa que nos “Perdidos” era até parte do próprio cenário.

Espero mesmo um dia assistir algo parecido na TV, ainda.

etionsod

 

comments (1)

  • Marcos Bernardi Reply

    errado. O Perdidos na Noite foi transmitido pela TV Bandeirantes até o final de 1988 (Faustão foi pra Globo em 1989)… sábados na Bandeirantes era assim: 20h Zácarro, 21h Bronco, 22h Perdidos na Noite, meia-noite Plantão da Madrugada… q ia até 3 da madrugada… só virou Comando da Madrugada quando o Goulart de Andrade trocou a Bandeirantes pelo SBT.

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