Dois lançamentos incríveis de 1986, época em que todos queriam tocar violão e explodia a venda de revistinhas de cifras nas bancas.

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“Acorde” era uma coleção de fascículos, da Rio Gráfica, lançado em 1986, em uma época em que todo adolescente queria ter uma banda de rock – já que era só isso que tocava em rádio.

Era um curso de violão e guitarra dos professores Mário Gangi e Franco Cerri. A obra original era italiana, primorosamente traduzida.

Vinha com umas fitas onde, além das lições, havia uma música a ser aprendida em cada etapa, tal música, gravada pelos professores, tinha o acompanhamento ao violão na caixa esquerda e o solo, na guitarra, na caixa direita, de forma que bastava girar o “Pan” do aparelho de som para ficar só a base, o solo, ou os dois.

Foi com essa fita, do primeiro fascículo, que aprendi me primeiro solinho: Greensleeves. Me senti um super-homem tocando aquilo.

As lições iam desde o basicão mesmo “Como segurar o violão” e ia pelos entremeios da dificuldade.

Houve uma grande promoção na imprensa, na época do lançamento, com propagandas nas TVs em horário nobre. A cada fascículo se juntava selos que havia no canto superior das capas, se grudava em um papel e se enviava para a RioGráfica: se recebia de presente um porta-fitas para guardar os cassetes da coleção. E dentre os que enviassem os selos, ainda havia o sorteio de três violões e três guitarras. Aliás, todas as guitarras que apareciam nas fotos eram de modelo “Les Paul” ou parecida, foi lá que comecei a gostar das Gibson Les Paul.

Na época, só comprei até o fascículo dois – quase 30 anos depois comprei e um sebo virtual a coleção completa.

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“Toque” era um livro, um livrão, método de violão e guitarra. Falava sobre a evolução do instrumento, técnicas de gravação, efeitos, reportagens sobre grandes músicos. Lá pelo meio do livro é que começava a ensinar, e a linguagem não era tão didática, era mais esquemas e gráficos, mas estava tudo lá. Terminava o livro com um utilíssimo dicionário de acordes.

Vinha com quatro compactos (discos de vinil) com várias batidas de ritmos e escalas – não sei se para dificultar ou o que, as escalas sequer eram tocadas com as notas na sequência, o que havia em cada gravação era já algum improviso sobre cada escala. Assim a obra era mais útil pela erudição que proporcionava a quem estava aprendendo, do que como método de estudo mesmo. Também comprei-a em um sebo virtual, junto com o “Acorde”.

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Embora a obra fosse uma tradução da original inglesa de 1982, havia biografia de músicos brasileiros nela (Jorge Bem, Gilberto Gil, Pepeu Gomes e outros)! Não sei se foram enxertados na tradução ou se a obra original já os tinha mesmo. Na época, emprestei o meu “Toque”, e nunca mais voltou (eu aprendo…)

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Custou cento e alguma coisa cada um, chegaram rápido e permitiram me lembrar daquela época e que estávamos empolgados em sermos roqueiros, era 1986, e eu tinha um violão DiGiorgio comprado na Mesbla e uma Gianinni Stratosonic comprada na Mundial Importadora.

Agora, me aprimorando para tocar cada vez melhor com a Noiantes, uno as lições do Youtube com esses métodos, de páginas amareladas. Show!

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